
Marco Roza
Toda vez que você tentou entrar numa empresa e não achou a maçaneta da porta, ou o botão que te daria acesso, ou onde passar seu cartão magnético de visitante, deve ter feito papel de bobo.
E se não abandonou o que iria fazer no local era porque você não podia fazer como os usuários de internet: simplesmente dar um clique de adeus e ir fazer negócios em outras freguesias.
Quem está atento a esse tipo de assunto, que preocupa as empresas em proporções cada vez mais crescentes, são os especialistas em usabilidade, como Mercedes Sanchez. ‘Usabilidade é investimento estratégico no relacionamento dos clientes com os sites empresariais’, diz a diretora da Mercedes Sanchez Usabilidade.
O movimento de facilitar a vida do usuário de internet começou nos Estados Unidos na virada do milênio. Os sites respeitavam apenas o ponto de vista dos programadores - muitos deles mantêm o hábito até hoje. Os usuários eram tratados como apêndices. Até que as grandes corporações e as empresas que fazem cada vez mais negócios através de seus sites foram alertadas para o óbvio: o usuário de internet tem opções. E as exerce.
‘Pesquisas de empresas norte-americanas de TI especializadas em analisar os impactos da tecnologia no desempenho das companhias indicam que 35% dos usuários que têm problemas para realizar uma atividade em um site acabam indo para o site do concorrente’, afirma Mercedes.
Por outro lado, os consumidores europeus que acharam sua experiência de compra online muito satisfatória compraram 71% a mais que aqueles que ficaram insatisfeitos, no mesmo período. Ou seja, facilitar a vida do usuário de internet é acionar a caixa registradora da empresa.
É por isso que as grandes companhias tratam a usabilidade como um investimento estratégico. Quando uma empresa ajusta seu site (ou intranet) às vontades dos seus usuários, aumenta, quase que imediatamente, sua competitividade.
Os usuários de internet aprendem, rapidamente, a valorizar o próprio passe. Tudo afeta sua decisão de permanecer ou cair fora do site. Desde a importância do portal onde o site está instalado, à leveza do próprio site, à facilidade de encontrar exatamente o que procura. ‘Com preço claro e condições de pagamento bem detalhadas’, esclarece a especialista.
A usabilidade se torna importante, também, durante as épocas eleitorais. Os sites de políticos com pouca interatividade, com quase ou nenhuma segmentação da mensagem ou pesados demais afastam o usuário e o eleitor.
A onda de usabilidade que começou nos Estados Unidos na virada do milênio chega aos poucos ao País. ‘No Brasil, estamos apenas começando a Grande Revolução da Usabilidade. Quem souber usar a usabilidade para tornar mais amigável o relacionamento com os usuários de internet ou de intranet vai aprender, na prática, a transformar cliques em dinheiro’, avisa.
E se for o site de um político, pode significar a diferença entre ganhar ou perder uma eleição.
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