
Pintamos o corpo no carnaval e o uso de maquiagem é uma prática universal que está no cotidiano, principalmente das mulheres. A pintura corporal ou somente a facial ganhou espaço como manifestação polÃtica e cultural.
Fazer pinturas usando como tela o corpo humano pode parecer uma coisa diferente e inovadora, mas é bem provável que, antes mesmo de desenhar animais e cenas de caça no fundo das cavernas, o homem pré-histórico tenha usado os pigmentos na própria pele. Alex Hansen, consagrado como um dos finalistas do World Bodypainting Festival na �ustria (Brasil - 4º. lugar), vive e trabalha com arte há mais de 20 anos em Montreal. Especialista na pintura de bodypainting, ele explica que mudar a cor dos cabelos e pintar a própria pele são formas de exprimir conceitos, que surgiram bem antes da linguagem. ‘Usava-se a pintura no corpo em diversas ocasiões como a guerra, a caça e rituais religiosos e continuamos fazendo isso ainda hoje, como expressão de arte ou como uma manifestação cultural.’

Em Montreal, são inúmeros os bares e casas noturnas que possuem murais assinados por ele. Não freqüentou escola de artes, define-se como um artista autodidata, único e de capacidade impecável para criar e produzir diferentes estilos a fim de responder toda a demanda. Eclético, já pintou vários retratos de alguns dos mais famosos nomes de Hollywood, além de participar de várias filmagens locais e internacionais, tanto como maquiador ou como artista de efeitos especiais. É também pintor comercial e residencial, mas a sua especialidade é o bodypainting, o qual vem se dedicando e sendo a cada dia mais procurado por diversas empresas e instituições que procuram uma nova forma de divulgação para suas marcas.

A pintura no corpo humano é sucesso garantido até mesmo pelo ritual, no qual o que se encontra visÃvel é unicamente a pele. Depois, na medida em que a tinta é aplicada e a intenção do artista vai tomando forma e se concretizando, nos toca o diferente, a maneira incomum de ver uma obra de arte. No final o erotismo desaparece e a utilização das formas do corpo surge como ponto de atração maior. ‘Se a nudez continuar perceptÃvel o trabalho não está bem feito’, diz Hansen.
A tinta é especial, pois necessita ser lavável com facilidade e não pode provocar intoxicação. Alex afirma que ‘além da quÃmica da tinta, a quÃmica entre a modelo e o artista é fundamental’. A maior parte das pinturas no corpo humano usa material sofisticado e adaptado ao uso diretamente na pele. Quando se usa um aerógrafo, por exemplo, a pressão deve ser adaptada para não provocar dor ou ferimento. ‘Muitas modelos recusam alguns artistas pela falta de empatia e respeito’, afirma.
Certamente, o eterno debate entre o que é arte e o que não pode ser considerado como tal, encontrará um bom espaço no campo da bodypainting; contudo, há muitos apreciadores e a principal preocupação é causar um efeito visual, uma expressão do belo, uma prática cada vez mais comum atualmente para as pessoas que conseguem se livrar de preconceitos para mostrar o seu interior, a sua cara e as suas fantasias.
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