Dia Mundial do Trabalho: Exemplo de Empreendedor

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Ex-Morador de Rua Monta Guarda-Volumes Em Frente ao Consulado dos EUA no Rio

Ele é o exemplo, com jeitinho brasileiro, do que os americanos costumam chamar de self-made man. Só que, para realizar o mesmo sonho de muitos que fazem fila na porta do Consulado dos EUA, no centro do Rio, em busca de um visto, bastou atravessar a rua México, onde fica o consulado. Ali, ele se instalou numa tenda branca de plástico em frente ao sofisticado aparato de segurança americano. É o ‘escritório’ do amazonense Edson Ferreira Maia, 46, que fatura de R$ 250 a R$ 300 por dia como guarda-volumes para os que necessitam entrar no edifício.

Desde o dia 2 de maio de 2005, por medida de segurança, é proibido entrar no consulado com aparelhos eletrônicos e mochilas. A medida abriu novo horizonte para o ex-morador de rua, que há 22 anos sobrevive de pequenos serviços em frente ao consulado.

Na tenda, duas placas, uma em inglês –’Baggage-Keeper, Cel. Phones’– e outra em português anunciam o serviço. Os próprios guardas do consulado encaminham os clientes à tenda.

A tabela de preços –R$ 10 para notebooks, R$ 5 para celulares, palmtops e máquinas fotográficas e R$ 3 para mochilas–, segundo ele, foi aprovada pela ex-chefe da seção consular Jenifer Noronha, que há um mês retornou a seu país. Ela teria feito apenas uma recomendação: que pessoas da mesma família, com mais de um celular, pagassem apenas por um aparelho.

Ele diz que está fazendo uma poupança, uma espécie de seguro para indenizar os clientes na eventualidade de algum celular sob sua responsabilidade vir a ser roubado, coisa em que não acredita, dada a segurança ostensiva em torno do consulado.

Nos últimos anos, o governo dos EUA ergueu uma barreira de proteção em torno do edifício. As calçadas foram suspensas e, sobre elas, colocados blocos de concreto para impedir a aproximação de carros. O trânsito foi alterado, e câmeras vigiam o movimento em volta do prédio.

‘Estou de bem com a vida. Como o que quero, e mandei reformar minha Brasília 1980. Sou casado com aquele carro, que vai voltar novinho’, resume, feliz, o guardador de volumes, que, solteiro e sem filhos, mora em uma casa que ganhou da Prefeitura do Rio, no Catete (zona sul), pelo programa favela-bairro, de urbanização de favelas.

Clientes Globais
Ele tem uma trajetória de vida marcada por perdas. Criança, saiu de Manaus com a mãe e foi para Nova Iguaçu (Baixada Fluminense). O único irmão, Jefferson, três anos mais velho, ficou em Manaus e perdeu contato com a família. A mãe morreu quando ele tinha 17 anos, sem deixar pensão.

Aos 23 anos, passou a vender lugar na fila do consulado, prática que sofreu um revés quando o consulado passou a agendar os atendimentos pelo telefone. Maia passou, então, a alugar cadeiras, a R$ 2 a unidade. Diz que chegou a faturar R$ 200 por dia. Essa clientela era formada, basicamente, por mineiros.

O negócio foi bem até que, em meados do ano passado, o governo norte-americano transferiu o atendimento aos mineiros para o consulado de São Paulo, e o aluguel de cadeiras praticamente acabou. Sua renda caiu para menos de R$ 10 por dia, época de vacas magras que durou até criar o serviço de guarda-volumes.

Edson Maia credita ao seu temperamento –’amigo, sem olho grande nas coisas, humilde’– o fato de ter sido autorizado a prestar o serviço de guarda-volume. Dias antes de ser proibida a entrada de eletrônicos e mochilas, o chefe da segurança, segundo ele, sugeriu que fizesse um armário para guardar os objetos.

O armário, contém fotos de Maia ao lado de artistas que usaram o serviço, como a cantora Bete Carvalho e os cantores Toni Garrido e Gabriel o Pensador, além de atores globais, como Eric Marmo e Maria Zilda. Ele diz que consegue as fotos graças ao despachante da TV Globo, que o avisa com antecedência para preparar a máquina.

Foto: Wok

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