
Tiago Bênia
As lições de um líder espiritual podem ser úteis ao mundo dos negócios? O livro Jesus, O Maior Executivo Que Já Existiu – Lições Práticas De Liderança Para Os Dias De Hoje, do estadunidense Charles C. Manz (Negócio Editora, 168 pgs, R$ 35,00), mostra que o ambiente corporativo pode ser mais humanizado com a inserção gradual de valores como compaixão, perdão e sabedoria.
Apesar do título específico sobre um profeta do cristianismo, o autor reconhece logo na introdução que outros líderes espirituais e pensadores da história, como Maomé, Buda, Confúcio e Gandhi, têm sua importância e até mereceriam uma obra similar. Junto a isso ele ainda explica que o objetivo das reflexões não é fornecer uma discussão religiosa e sim ‘capturar o lado prático da sabedoria espiritualista dos ensinamentos de Jesus.’
A obra é dividida em 4 partes:
O trunfo de Manz é conseguir fazer com que o leitor receba essas lições e pense sob um nova ótica sobre elas, através de insights. Ele inicia a reflexão em cima da necessidade que todas as pessoas - líderes ou seguidores – têm em fazer uma auto-análise para que se possa descobrir os defeitos e levantar as qualidades próprias, evitando preocupações com problemas dos colegas de trabalho. Manz afirma que o apego em apontar os problemas dos outros cria uma falsa superioridade, capaz de contribuir para os esquecimentos das próprias falhas, além de contribuir para o surgimento do subordinado ao invés do seguidor. Nessa linha, a posição de líder acaba sendo semeada entre as pessoas humildes e que reconhecem suas imperfeições. Isso inclui ainda uma postura de saber ouvir e não de julgar as pessoas, já que cada um sabe de suas limitações.
Manz toca em assuntos complicados, como o reconhecimento nos locais de trabalho. Ele sugere que para ser o maior e o primeiro é necessário ser o melhor e o último, algo impensável por muitos empresários. Para isso seria preciso combater a vaidade e a necessidade de importância pessoal…
Outra lição que é apresentada no livro é a de voltar a ser criança, com as qualidades da alegria, da curiosidade questionadora e das brincadeiras, que ajudam a relaxar na hora certa, além de alimentar a criatividade.
Não basta apenas buscar os melhores profissionais para integrar os quadros de uma empresa. Mais importante que isso é o bom relacionamento com os colegas, a capacidade de ouvi-los e de reconhecer os esforços coletivos e individuais.
A inspiração de Manz se deu na maneira de Jesus contar suas parábolas, que sempre retomavam casos vividos pelos apóstolos, fazendo simples comparações e retomando os assuntos, sem deixar de dar espaço para cada um dos seus seguidores, incluindo Judas Escariotes. Com isso ele sempre foi lembrado por eles, passando a ser difundido e lembrado após a sua morte, algo que é desejado por muitos empresários. Todavia, para isso é preciso que haja liderança positiva, ancorada em compaixão, compreensão, capacidade de perdão das falhas e utilização das mesmas para aperfeiçoamento e, não para um julgamento precipitado de um funcionário que comete um erro. Isso pode ser desenvolvido com base nas sugestões de Jesus e de Manz, que associa o legado do profeta às realidades empresariais.
Subscribe 


