Copa 2006 Exportando Softwares, Frutas e Soja
Eliane Sobral
O futebol brasileiro pode não ajudar a fechar um negócio, mas torna a conversa muito mais agradável, principalmente se do outro lado da mesa estiver um eventual comprador estrangeiro. A opinião é de Roberto Pacca, presidente da Agra, produtora de mamão papaia e gengibre, que esteve em Berlim, em fevereiro desse ano participando da maior feira de frutas e legumes do mundo, a FrutiLogÃstica.
Ele participa da exposição desde 2002 e diz que neste ano o clima da cidade já era diferente. ‘As pessoas estão mais abertas por conta do mundial, e isso foi no inÃcio do ano. Acho que agora o clima está melhor ainda’, diz.
Outra empresa que também esteve na Alemanha em busca de novos negócios foi a Aker – produtora de softwares de segurança da informação. Com clientes na Rússia, Polônia, Austrália, México, Chile e Argentina, a Aker quer conquistar compradores na terra de Jürg Klismman - o técnico da Seleção alemã de futebol. Hoje, as exportações representam algo entre 2% e 3% do faturamento da Aker. A meta é ampliar essa participação para algo entre 10% e 20% nos próximos 2 anos. ‘Mas os alemães são difÃceis e só adotam novas tecnologias quando elas já estão bem assimiladas, testadas e aprovadas em outros paÃses europeus’, diz Rodrigo Ormande, diretor de tecnologia.
Foi exatamente para ‘quebrar o gelo’ e mostrar a alemães e demais europeus que o Brasil tem habilidades em vários campos, não só no de futebol, que a Agência de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex), deflagrou uma campanha para ‘vender’ o Brasil na Alemanha em ano de Copa do Mundo. A campanha Nós Fazemos Diferente começou em janeiro e até agora já foram fechados US$ 25 milhões em negócios. ‘Outros US$ 194 milhões estão em negociação’, diz Juan Quirós, presidente da Apex, afirmando também que são mais de 30 eventos ao longo do ano entre feiras e exposições.
Ele explica que prospectou o mercado para inserção de produtos brasileiros no curto prazo. Foram identificados setores como frutas, confecções, cosméticos, flores, vidros, softwares e principalmente de produtos orgânicos, entre outros, com boas perspectivas de vendas no mercado alemão. ‘Conseguimos identificar cerca de 1,2 mil empresas com potencial de vendas para o mercado externo’.
Uma delas é a Naturalle, que produz soja orgânica e não-orgânica para consumo humano. A empresa já vende para a Alemanha e quer aumentar a participação do paÃs em suas exportações. ‘Aproveitar a Copa do Mundo é um gancho forte. Os alemães estão mais acessÃveis, mas a venda é extremamente técnica e complicada. Uma negociação pode demorar de 1 ano e meio a 2 anos, antes de se tornar uma venda’, diz Antonio Santoro Jr., diretor comercial.
Em 2005, a Naturalle faturou US$ 7 milhões e a expectativa para este ano é dobrar a receita chegando aos US$ 14 milhões. ‘Investimos muito em novos mercados nos últimos 2 anos e agora é que as vendas estão saindo. Nossa meta é alcançar faturamento de US$ 30 milhões até 2010′. De acordo com o executivo, 90% da receita vem do mercado externo. Foi dele a iniciativa de procurar a Apex para ampliar a penetração de seus produtos no mercado externo. Hoje, além da Alemanha, exportamos para França, Itália, Holanda, Dinamarca e Irã.
Juan Quirós da Apex acredita que a campanha deflagrada pela agência vai alcançar 3 milhões de consumidores e 2 milhões de importadores – não só da Alemanha, como de outros paÃses europeus. A agência está investindo R$ 32 milhões para um ano de campanha e a expectativa é gerar negócios de 450 milhões de euros a partir da promoção. ‘Só nas exportações de calçados já detectamos crescimento de 24% para a Alemanha. No caso de peixes e camarão as vendas cresceram 26%’, diz. O salto mais expressivo foi no setor de vinhos e espumantes nacionais que cresceu 130% desde o inÃcio do trabalho em janeiro passado. No total, diz o executivo, as exportações brasileiras para o paÃs da Copa subiram 25% no 1º. trimestre de 2006, em relação a igual perÃodo de 2005.
A propaganda da promoção está à cargo de uma agência local de relações públicas que tem como principal estratégia de divulgação, a colocação de cartazes em pontos estratégicos como estações de metrô, proximidades de feiras e congressos além é claro, dos estádios de futebol.
Foto: Let’s Fotografar
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Eu tb acho que o futebol (principalmente o brasileiro), ajude a vender bastante coisa sim, mas vi uma matéria em um canal de esportes, não lembro qual exatamente, onde falava sobre a estratégia do Brasil de fazer uma grande feira de cultura na Alemanha durante a copa, como já tinha sido feito na copa da Ã?sia e na da França, mas que isso nunca deu muito certo não…