
Gigante indiana repatria cientistas, abre o caixa para aquisições e reforça operação brasileira. Meta: dobrar de tamanho até 2008
Florência Costa
As empresas de tecnologia de informação e os call centers simbolizam hoje a Ã?ndia globalizada. São os principais ingredientes do combustÃvel da pujante economia indiana, que cresce 6% ao ano há mais de 2 décadas. Mas o paÃs não se limita a ser o ‘escritório do mundo’. 4ª. maior produtora de medicamentos do planeta, a Ã?ndia quer ser também a ‘farmácia global’. Afinal, o mercado farmacêutico movimenta mais de US$ 500 bilhões no mundo. De olho nessa mina de ouro, as farmacêuticas da Ã?ndia promovem uma epidemia de parcerias e aquisições: desde janeiro de 2005 elas desembolsaram US$ 1,3 bilhão para adquirir mais de 30 companhias internacionais. O Brasil – com um mercado de US$ 8 bilhões no setor – está na mira.
A Dr. Reddy’s Laboratories, 2ª. maior farmacêutica indiana em operação no mundo (a 1ª. é a Ranbaxy), escolheu o Brasil como um dos principais bunkers para seu projeto de globalização. ‘O Brasil é o coração de nossas operações na América Latina, prioritária para a nossa expansão’, afirmou o engenheiro quÃmico e diretor de operações da empresa Satish Reddy, em seu escritório na sede da empresa, na cidade de Hyderabad, no Sudeste da Ã?ndia.
A empresa produz e comercializa substâncias ativas vendidas a granel, remédios de marca, genéricos, medicamentos biológicos, e ainda investe pesado em sofisticadas pesquisas para criar novas drogas. Seu foco são medicamentos contra diabetes, doenças cardiovasculares, inflamações, infecções bacterianas e câncer.
O executivo que os indianos contrataram para liderar a expansão na América Latina foi o médico Wellington Briques, 46 anos, com 15 anos de experiência em laboratórios no Brasil, na Europa e nos EUA. ‘Nossa meta é ficar entre as 20 maiores do Brasil até 2012. Já começamos a fechar parcerias. Assinamos contrato com uma empresa brasileira que vamos anunciar brevemente. E estamos abertos a aquisições’, disse o gerente geral da subsidiária brasileira, que assumiu em janeiro.
A Dr Reddy’s atua no Brasil desde 1999, mas hibernava devido à concorrência dos genéricos. No ano passado, ela faturou US$ 640 mil com a venda de remédios de marca e em 3 anos investiu US$ 8 milhões no PaÃs. ‘Agora é que os investimento vão começar a vir’, avisou o executivo brasileiro, sem detalhar cifras. Em 2 meses Briques conseguiu passar de 2 para 4 marcas de remédios vendidos no paÃs. São oncológicos, para tratamento de câncer de mama, próstata, pulmão e intestino: Pamired (Pamidronato dissódico), Paclired (Paclitaxel), Irnocam (Irinotecan) e Granomax (filgrastima).
A empresa – que opera em 100 paÃses - faturou US$ 446 milhões em 2005. A meta é chegar aos US$ 1 bilhão em 2008. Foi a primeira farmacêutica asiática (com exceção das japonesas) a ter ações na Bolsa de Valores de Nova York, em 2001. Com 6 mil funcionários, dos quais 1.100 são cientistas, a empresa segue a tendência de outras conterrâneas: tem atraÃdo de volta seus cérebros que estavam nos EUA e na Europa. ‘As empresas que não investirem no desenvolvimento de novos medicamentos não conseguirão se expandir no mundo. O mais importante é nos estabelecermos no mercado global como uma empresa de inovação’, concluiu Satish Reddy.
A Dr. Reddy’s foi contaminada pela febre das aquisições de das farmacêuticas indianas. Já tinha comprado a britânica BMS Laboratories por US$ 12 milhões, a americana Trigenesis por US$ 11 milhões, a unidade da Roche mexicana por US$ 59 milhões, e em março fechou a maior compra de todas: a Betapharma, 4ª. maior produtora de medicamentos genéricos da Alemanha, por US$ 570 milhões. Um dos arquitetos da globalização da empresa, o vice-presidente G.V. Prasad - formado em Engenharia QuÃmica pelo Instituto Tecnológico de Illinois, de Chicago – avisa que a Dr. Reddy’s não vai poupar esforço, nem dinheiro para atingir sua meta: ‘Ano passado, investimos em todo mundo US$ 700 milhões em aquisições e pesquisa. Vamos continuar investindo’.
Foto: Zeca Caldeira
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A última palavra que quero ouvir é *meta*.
E tenho dito!
Tô cansaaaaaaaada!
:*
Enquanto isto,aqui no Brasil,o governo vendeu-se ao lobby das indústrias farmaceuticas e só achata as empresas fitoterápicas.
Lamentável este paÃs,viu…
Beijos,CRIS!