Copa Das Marcas

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Fábio Altman
No país do futebol, será sempre um evento solene. Hoje, 15 de maio, quando Carlos Alberto Parreira anunciar no Rio de Janeiro os nomes dos 23 jogadores escalados para a Copa do Mundo, o Brasil sofrerá fraturas de humor. Uns cobrarão a convocação de atletas esquecidos. Outros lamentarão a presença de zagueiros e atacantes improváveis. Será tempo, também, de medir a escolha sob outro ponto de vista, o econômico.

A camisa canarinho envolve patrocínios, atualmente, na casa dos US$ 26 milhões anuais - eram meros US$ 3,4 milhões em 94. É uma das mais poderosas máquinas de propaganda do esporte em todo o mundo. A Nike, patrocinadora oficial, tem contrato renovado até 2018. Paga, por isso, US$ 12 milhões anuais, além de US$ 6 milhões a cada título conquistado. São números que circulam no mercado. A Nike prefere não divulgá-los. ‘Nossa entrada no futebol, com a camisa brasileira, deu imenso impulso à imagem mundial da marca’, diz Ingo Ostrovsky, diretor de comunicação da empresa. Dona do guarda-chuva maior, que abriga os uniformes de jogo e treino do escrete, a Nike calça 11 dos 17 jogadores de convocação 100% garantida, entre eles Ronaldinho Gaúcho, cujo valor de mercado é estimado em US$ 46, 5 milhões, o maior do mundo no futebol. De cada 100 camisas oficiais vendidas (com selo Nike, evidentemente) 40 são do mágico atacante do Barcelona.
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Por não estar na totalidade dos pés pentacampeões, a Nike tem que conviver com uma sobreposição natural e curiosa – a de jogadores que desfilam no gramado com chuteiras de outras grifes. É o caso de Kaká, que tem contrato com a Adidas e Cafu, com a Lotto. ‘Não há problema algum, faz parte do jogo de marketing’, diz Ostrovsky. ‘As chuteiras são instrumentos de trabalho dos futebolistas, não cabe a nós definí-las’. Vale lembrar que na seleção da Alemanha a Adidas exige que todos tenham as 3 listras dos pés à cabeça, dentro e fora de campo. Como não é esse o caso da Seleção de Parreira, há situações curiosas. O armador Zé Roberto, por exemplo, está sem contrato – calça, portanto, aquilo que no jargão da propaganda é chamado de ‘black’. Usa chuteiras renomadas mas as pinta de negro, de modo a não fazer propaganda gratuita. Bem vindos a um outro torneio paralelo ao Mundial, tão decisivo quanto o original: a Copa das marcas. As feras de Parreira, de algum modo, estarão travando também este embate. Afinal de contas, ele levará o goleiro Marcos (Lotto) ou Rogério Ceni (Umbro), na mais esperada das decisões da segunda-feira do pontapé inicial rumo ao hexa?

 

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