
Jornal do Comércio:
É alentador: o Brasil está firmando sua imagem no exterior como exportador de cultura. A música, o cinema, a publicidade e a televisão vêm conquistando mercados e gerando divisas para o País. Os números são modestos se comparados com as exportações tradicionais, mas o potencial é enorme, segundos os segmentos envolvidos. Em 2006, essas exportações devem superar US$ 50 milhões, considerando apenas projetos em parceria com a Apex-Brasil, a agência governamental de promoção de exportações.
Depois de exportar novelas e imortalizar a bossa nova, o Brasil vem explorando novos nichos do mercado internacional. ‘Na área cultural, há um mercado praticamente inexplorado que podemos conquistar com uma ação coordenada’, afirma Regina Silvério, coordenadora de projetos da Apex-Brasil. A agência desenvolve 5 projetos voltados para a exportação na área de cultura e trabalha com mais de 300 empresas e entidades. A participação em feiras internacionais é um dos carros-chefes. Regina diz que ‘a participação organizada do Brasil inverteu a forma de negócios. Antes tínhamos que sair batendo de porta-em-porta e agora são os interessados que batem à nossa porta’.
Neste momento, o Brasil é tema da Popkom de uma das maiores feiras internacionais de música, em Berlim. Está no projeto Copa da Cultura, do Ministério da Cultura, e da campanha We do it different‘ (Nós fazemos diferente), da Apex. Eventos assim funcionam como balcões de negócios para produção, gravação e distribuição da MPB no exterior.
Entre os produtos musicais vendidos pelo Brasil estão a produção e gravação de CDs e DVDs, mas também serviços como a montagem de shows - desde o pagamento de cachê até a montagem da estrutura física - e a transferência de know-how (como o Rock in Rio em Lisboa). Também está em expansão o mercado de download de faixas musicais brasileiras para computador, i-Pod e celular, e a composição de trilhas sonoras.
Os principais mercados são a União Européia, Estados Unidos e o Canadá. Michel Nicolau, coordenador do projeto de música da Apex, ressalta a ‘diversidade cultural’ do Brasil. ‘A música eletrônica faz grande sucesso na Europa, assim como o hip hop de Marcelo D2 e o erudito de Hermeto Pascoal‘, diz, acrescentando que a indústria musical já serve de modelo para Austrália e África do Sul, e que o Brasil está na vanguarda de segmentos novos, como distribuição digital. O Brasil também está ampliando a venda de instrumentos musicais. Em 2005, o mercado movimentou US$ 30 bilhões e as exportações brasileiras foram de US$ 14 milhões. Para 2006, a meta é exportar US$ 18 milhões.
Cenários do Brasil atraem quem faz cinema

Peixonauta, ou Fishtronaut para os gringos, é uma estrelinha brasileira que brilha no Canadá. O personagem foi criado pela produtora paulista TV Pingüim, em parceria com a canadense Nelvana, para um seriado de tevê que deve estrear no fim de 2007 no Canadá. Um projeto de US$ 4,5 milhões que mostra o potencial do Brasil na exportação de filmes de animação, área pouco explorada que começa a ganhar destaque, especialmente depois de filmes como A Era do Gelo 2, dirigido por Carlos Saldanha. O Peixonauta é um seriado com 52 episódios de 11 minutos que pode abrir portas para a produção brasileira. Kiko Mistrorino, sócio-gerente da TV Pingüim, conta que os canadenses ficaram entusiasmados.
A animação é uma das muitas opções da tevê tipo exportação. Ao contrário do Brasil, no exterior as redes compram o conteúdo ou trabalham com co-produções. ‘Mesmo com o dólar em baixa, o Brasil é uma opção barata para produção de televisão’, diz Fernando Dias, presidente da Associação Brasileira de Produtores Independentes de TV. Ele explica que as demandas são variadas. Há interesse em documentários sobre a Amazônia, Pantanal, música, turismo e culinária. O País também vem sendo procurado para séries de ficção. O clima, as locações e a diversidade étnica contam pontos, assim como a qualidade das instalações. ‘A produção para televisão é uma vitrine do que o País produz’, afirma Dias.
Na área de publicidade, onde o Brasil já tem uma imagem consolidada, com premiações no Festival de Cannes, a previsão é de US$ 18 milhões em exportações este ano. O projeto Filme Brasil, de empresas e entidades em parceria com a Apex-Brasil, trouxe, em janeiro, produtores norte-americanos para ver locações e equipamentos. ‘Eles ficaram impressionados com a qualidade dos equipamentos’, diz Rita Valente, gerente do projeto e integrante da Associação Brasileira de Produção de Audiovisuais.
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