
Para o observador de mídia Wolfgang Lünenbürger-Reidenbach, não há perigo real de que boatos infundados divulgados por sites causem prejuízos econômicos aos atingidos.
Andreas Leixnering:
Anotações online, relatos íntimos de casos amorosos, dicas para manicures: a maioria dos blogs é dedicada aos hobbys e às paixões de seus criadores, que revelam as suas experiências ao público, quase sempre pouco numeroso. A subjetividade é corrente.
Contudo, como nesse universo também se costuma especular sobre fabricantes e seus produtos, muitos empresas passaram a observar com mais atenção o conteúdo desses diários online e jornalistas também bisbilhoteiam blogs em busca de histórias exclusivas.
A gigante do setor de tabaco Philip Morris, que há pouco trocou seu nome para Altria, conheceu de perto as conseqüências de boatos mal-intencionados na internet. Segundo matéria do jornal Berliner Zeitung, sites árabes disseminaram a informação de que a multinacional produzia em Israel os cigarros comercializados no mercado árabe. Uma informação errada que – reproduzida por jornais iraquianos – levou de imediato a uma queda no faturamento da empresa.
Prejuízos
Mas nem todos compartilham do medo frente aos boateiros mal-intencionados de plantão. ‘A suposição de que os blogs sejam uma ameaça econômica séria para empresas é besteira’, afirma o especialista em blogs da Agência Alemã de Observação da Imprensa, Reidenbach. A serviço de empresas dos mais diversos setores, ele e seus colaboradores passam na lupa, regularmente, cerca de 60 mil blogs em língua alemã.
Ele assegura não conhecer na Europa nenhum caso de prejuízos causados a empresas por meio de desinformações divulgadas com má intenção por diários online. No mundo dos blogueiros, notas equivocadas seriam rapidamente identificadas e corrigidas, sendo o alcance dos blogs ainda muito limitado. E mesmo que o seu conteúdo fique disponível por muito tempo, isso acaba facilitando a localização de notas falsas pelas empresas atingidas, acrescenta o especialista.
Estimativas apontam cerca de 70 milhões de blogs em todo o mundo – com acelerada tendência de crescimento. Empresas que oferecem serviços de blog monitoring sistemático não precisam se preocupar com a falta de trabalho. Com os harvesters, elas examinam sites, fóruns e blogs. Através de palavras-chave, esses robôs de busca avaliam se um produto ou marca é apresentado de forma negativa ou positiva. O que fazer caso uma empresa seja atacada num blog?
Não processe ninguém
‘Nada de pânico, o melhor é ficar quieto’, aconselha Reidenbach. Reagir de forma enérgica é contraproducente. E, principalmente: ‘Não processe ninguém’ – pois essa atitude afeta mesmo a reputação da empresa. Caso o boato não desapareça por si só, deve-se solicitar abertamente a correção da informação.
No ano passado, a empresa Jamba, que comercializa toques para celular, mostrou como não se faz. O blog berlinense Spreeblick criticou práticas empresariais da Jamba em relação aos clientes jovens. Em resposta, funcionários da empresa encheram o blog com comentários positivos sobre o seu empregador – tudo de forma anônima. Quando foram descobertos, não só o blog, mas toda a mídia alemã ridicularizou a Jamba.
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