Natureza Em Moda: Biojóias São Destaque no Rio Fashion Business

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Regina Mamede:
Rio de Janeiro - Pupunha, babaçu, ouriço da castanha e fibra de curuá são algumas das matérias-primas utilizadas por uma comunidade da floresta amazônica para produzir biojóias. Os artesãos são moradores de Iagarapé Açu, a 250km de Belém (PA), que trabalham em parceria com um casal de designers de apenas 21 anos. O resultado são peças delicadas, contemporâneas e sofisticadas, em exposição no Rio Fashion Business.

‘Queríamos trabalhar com as frutas, fibras e sementes da nossa terra, misturando estes materiais com prata, acabamento impecável e sem desrespeitar a natureza. Nessa comunidade eles têm uma consciência ecológica tão forte que já organizaram uma cooperativa. Eles não são simplesmente artesãos, mas artistas que executam os nossos desenhos com perfeição. Apresentamos o projeto ao Sebrae no Pará que aprovou a nossa idéia e em 6 meses já conseguimos um resultado maravilhoso’, comemora o designer Cláudio Noronha Filho.

A primeira coleção está sendo lançada no Fashion Business, que é patrocinado pelo Sebrae e Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan). Este evento inaugura a temporada mundial de negócios com as tendências da moda Primavera-Verão 2007. O Fashion Business acontece na Marina da Glória, Rio de Janeiro, simultaneamente ao Fashion Rio, que reúne as melhores confecções do País.

A Amana Jóias quer ser conhecida como uma marca que reflete o cuidado com a natureza, a começar pela escolha da matéria-prima. ‘Usamos materiais resistentes e abundantes na floresta e a coleta não é feita por acaso. A maior parte é recolhida do chão, como a pupunha e o ouriço da castanha’. A designer Luciana Lima explica que elas não podem ser colhidas diretamente da árvore, até porque dão problemas como mofo. ‘Alguns artesãos, na pressa de fazer dinheiro, colhem tudo antes do tempo, sem respeitar o ciclo da natureza. Com isso contribuem para a destruição da floresta. Nós cuidamos até para que a embalagem misture o luxo e a preservação. Nossas caixas são de fibra de curauá recicladas enfeitadas com folhas esquelitizadas de ajiruna. Todas as nossas etapas de produção são feitas de forma totalmente artesanal e sustentável’, explica Luciana.

As peças que o Pará apresenta nesta edição do Fashion Business estão fortemente ancoradas na parceria e na valorização da identidade local. Bolsas com fibras e sementes da floresta, reprodução de padrões indígenas e arabescos que remetem ao Teatro da Paz, um dos símbolos mais fortes da capital paraense, espalhadas pelas araras dando uma boa amostra da profissionalização local.

Rosa Leal, que este ano introduziu o uso de couro do peixe pescada-amarela em suas bolsas resume o sentimento do grupo: ‘Queremos retirar dos nossos produtos a cara de souvenir comprado apenas por turistas estrangeiros. Queremos que as mulheres brasileiras também possam usar as nossas criações’.

 

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