Empresários Que Dão Certo: Biojóias Feitas Por Presidiárias do Distrito Federal São Exportadas

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Beatriz Borges:
Brasília - Para comemorar a Semana da Micro e Pequena Empresa, de 3 a 7 de outubro, a Agência Sebrae de Notícias divulga uma série especial de matérias sobre empreendedores que acreditaram em suas idéias e perseguiram um sonho. A garra de empreender gera outras ocupações e renda. Para abrir a série, foi escolhida a história de Suzana Rodrigues, que contribuiu para a recuperação de detentas oferecendo capacitação e oportunidade de trabalho.

Design sofisticado, combinação de temas que trazem para a moda feminina o glamour da jóia mesclada com elementos da natureza, como sementes de árvores típicas do cerrado. Esse é o perfil das biojóias produzidas pela empresa Arte Brasil Bijuterias e Acessórios, com sede em Brasília. As peças vêm chamando a atenção das consumidoras brasileiras e também das de outros países.

Mas essa mistura de tendências e estilos não é a única maneira de atrair os consumidores exigentes. Por trás de cada peça existe uma história de vida. É que os colares, pulseiras, brincos e anéis produzidos pela empresa fazem parte de um trabalho em conjunto com presidiárias da Penitenciária Feminina do Distrito Federal. Suzana explica que tudo começou há 3 anos, quando ela própria se viu em uma situação difícil por estar desempregada e sem perspectivas profissionais. ‘Foi então que comecei a confeccionar as bijuterias, mas sem aquele propósito de viver para aquilo. Seria apenas um paliativo até encontrar um emprego’, conta.

Apesar de desempregada, Suzana queria repassar voluntariamente seus conhecimentos. Procurou a Delegacia da Mulher, em Brasília, para oferecer cursos gratuitos de confecção de bijuterias. ‘Ali, tive a sugestão de levar essa oferta à Penitenciária Feminina do DF que já tem um núcleo de educação para as internas com bom comportamento’, revelou. A partir daí, a empresária ministrou um curso de montagem das bijuterias durante um mês para 9 presidiárias. ‘É difícil vender arte e o que produzíamos não tinha diferencial para conquistar o mercado’, disse. Mesmo assim, o Sebrae DF teve acesso às peças e consultores da instituição avaliaram que o trabalho era bom e que poderia inserir nas peças sementes do cerrado, como o tento. ‘Isso deu um upgrade no estilo das bijuterias e tive apoio para participar de uma feira em Minas Gerais, a Mão de Minas, sendo destaque no evento’, revela.

O trabalho social com a penitenciária já rendeu frutos. Suzana capacitou 250 presidiárias, sendo que 30 trabalham diretamente na produção contínua de cerca de 2,4 mil peças por mês. As internas são remuneradas por produção, que pode variar de R$ 1 a R$ 15, dependendo do tipo de bijuteria e do grau de dificuldade para a confecção. As peças são vendidas em Brasília, Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e alguns estados nordestinos. Além disso, as inglesas, francesas, italianas, alemãs e norte-americanas também já compram as jóias da Arte Brasil Bijuterias e Acessórios.

Para a policial Eucimar Araújo, chefe do Núcleo de Ensino e Aperfeiçoamento Profissional da Penitenciária Feminina do DF, cursos, oficinas e aulas de ensino médio e fundamental já são oferecidos às presas que têm bom comportamento e as que já foram sentenciadas pela Justiça. O curso oferecido gratuitamente por Suzana Rodrigues veio reforçar a idéia de que só se recupera uma pessoa que já teve envolvimento com o crime com educação e trabalho. ‘É um benefício muito grande para as internas’, afirma.

Das 300 internas da penitenciária, cerca de 140 participam de alguma atividade no núcleo de educação. ‘Muitas saem daqui prontas para serem inseridas no mercado de trabalho’, avalia a policial. Exemplo disto é Ana Azara, que cumpriu pena durante 2 anos e 6 meses por tráfico de drogas. Com 42 anos, Ana está há 2 anos em liberdade e, quando saiu da penitenciária, foi contratada para trabalhar na empresa de Suzana, na linha de produção. ‘Hoje, sou gerente da empresa e uma cidadã honesta’, comemora ela que tem 2 filhos e faz questão de contar a todos sua experiência de vida. ‘Vou agradecer o resto da vida’, disse.

Além dos cursos oferecidos às presidiárias, a empresária faz um trabalho social também com mendigos da rodoviária, localizada bem no miolo de Brasília. Eles são ‘contratados’ para catar e selecionar as sementes de tento usadas na confecção das jóias. ‘Quando meu pai sugeriu o trabalho com essas pessoas foi muito bem recebido e agora é chamado pelos catadores de Pai da Rodoviária, conta a empresária. Os moradores de rua que participam da coleta recebem entre R$ 40 a R$ 130 por quilo de semente colhido e selecionado. ‘É um trabalho que abrange várias frentes’, avalia Suzana.

As jóias da Arte Brasil estiveram expostas este ano na França, durante as comemorações do Ano do Brasil naquele País. Além disso, o trabalho recebeu o selo do Consórcio de Tutela do Trabalho Justo, Ético e Solidário de Milão pela atividade social.

Foto: Márcia Gouthier/ASN

 

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    2 Comments

    1. 1
      DO Says:

      Acho muito legais estas iniciativas do SEBRAE,CRIS,mas,às vezes,sinto-me como se estivesse diante de uma lavagem cerebral,hehehe
      beijos e bom domingo

    2. 2
      Cristiane Says:

      O trabalho realizado por mulheres presas é uma forma de melhorar a situação penitenciário e melhor ainda melhorar a estima de cada uma delas. Acho muito importante este trabalho, além de fortalecer as informações para um trabalho de faculdade que estou realizando no momento. Parabéns.
      Cristiane Vianna, São Paulo :lol:

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