Rodrigo Bertolotto:
Havia um tempo em que as pessoas no Brasil assistiam à Copa do Mundo no recôndito do lar. Agora, a maioria prefere o clima de arquibancada dos bares. Mas há aqueles que aproveitam o pretexto do feriado esportivo para dar uma escapadinha e acompanhar os jogos à meia-luz de um inferninho.

Casa dos Jardins oferece ‘churrasco free’ e ‘lindas garotas’ para os torcedores
Seja na tradicional ‘boca do lixo’ da rua Augusta, nos Jardins ou na Zona Leste, várias casas de São Paulo criaram o serviço vespertino para atender à clientela em ritmo de Copa. ‘Venha assistir aos jogos em um supertelão e ao lado de uma seleção de lindas garotas. Muita descontração e churrasco free’, diz o slogan de uma boate dos Jardins, apelando duplamente para a tentação da carne.
No intervalo da partida, acontece o verdadeiro ’show do intervalo’. Com o telão repetindo os lances do primeiro tempo, Chayane faz rodopios em uma barra, se ajoelha e debruça sobre os marmanjos. É tanta desenvoltura que parece até que ela está na jogada com o zagueiro croata que está na imagem. O segundo tempo recomeça, e ela ainda não terminou seu strip-tease. Alguns estão vidrados. Outros não sabem para onde olhar. Os mais tensos pedem para ela sair da frente quando o Brasil tem uma chance de gol. ‘Já deu, gata’, decreta um, colocando uma cédula de R$ 20 no biquíni ainda vestido.
No minuto seguinte, Chayane (nome artístico) sai do palco e vai de volta para o colo do senhor nipônico, que será rival na próxima quinta 22 quando o Brasil encara o Japão na última rodada da primeira fase. Com uma mão ele segura o copo de uísque. A outra fica pousada na coxa da moça, que agora pode acompanhar a partida.
Apesar do aumento do interesse feminino nos últimos anos, a Copa do Mundo e o futebol é um território masculino. Não por nada a Alemanha ‘importou’ do Leste Europeu mais de 40 mil prostitutas, que estão fazendo hora-extra para relaxar torcedores no pré-jogo e festejar no pós-jogo e pós-bebedeira. Organizações feministas da Suécia e dos EUA chegaram a pedir às seleções locais para que não disputassem o torneio porque o país-sede legalizou a prostituição em 2002 e as aproximadamente 400 mil profissionais têm direito ao seguro público de saúde.
Assistir aos jogos num prostíbulo, porém, requer um grau de concentração. Durante todo o jogo de estréia do Brasil, a loira oxigenada Michelle tentava chamar a atenção tocando um apito e gritando pênalti até para faltas no meio-campo. ‘Foi pênalti’, argumenta com os potenciais clientes. ‘Eu entendo de futebol, viu?’, emenda.
Enquanto Cafu corre pela ponta direita, Talita em sua micro-saia verde-e-amarela cai pela lateral esquerda do balcão, desviando o olhar dos frequentadores. Pela roupa social, dá para ver que são grupos que acabaram de sair do trabalho aproveitando o almoço que virou happy hour no meio da semana. Um que outro até esqueceu de tirar o crachá pendurado por cordão no pescoço. ‘Minha mulher acha que eu estou em algum bar perto do serviço. Aproveitei a Copa para pular a cerca’, confessa Jonas (nome fictício).
O segundo tempo se arrasta, e um cliente grisalho simula uma empolgação, gritando ‘Brasil, olé olé olá’ para poder partir para o abraço na garota tipo ‘brasileirinha’ que passa ao lado. Surge uma vibração quando Robinho entra em campo, mas o motivo não é o atacante: algumas moçoilas trazem as esperadas picanhas, prometidas pelo cartaz na fachada.
O juiz apita o final. No telão, um close de Zagallo beijando o goleiro reserva Julio César. O rapaz com o crachá se inspira e pula para cima da mulata que estava dando sopa durante os 90 minutos regulamentares.
Acabado o futebol começa outra modalidade: o jogo da sedução. No caso, sedução monetária. E entram as titulares em campo. Um exército de garotas ainda em trajes civis adentram na casa carregando malas. Em meia-hora, voltam com o uniforme de trabalho: biquínis e tops com as cores nacionais para despertar a volúpia patriótica. O número de profissionais triplica no salão, e os comentários sobre o jogo duram pouco.
Mundial e Festas Juninas para atrair clientela
Se no inferninho de luxo a companhia feminina aumentou a atração do jogo morno, na boate da rua Augusta, homens e mulheres ficaram em arquibancadas (ou sofás) separados. Os neons estão desligados e a trilha sonora é a voz de Galvão Bueno. De um lado, 8 homens pediam Juninho e Rogério Ceni em campo. ‘Tira o Ronaldo, ele está mais gordo que eu’, grita um senhor rechonchudo. Do outro lado, 3 garotas se encolhem de tensão porque a pressão é só croata. ‘Estou até com a mão suada de tão nervosa’, diz Clara.
Nada de programa durante a partida. ‘O cliente não quer perder nenhum gol. Pode até querer acabar o programa rápido para voltar para assistir’, argumenta Clara, 3 anos na profissão e, portanto, sua primeira Copa em uma boate. A colega Aline arrisca até uma análise da partida. ‘Os croatas estão jogando bem fechados. O Brasil não consegue levar perigo’, comenta. Foi só falar e Kaká chuta e marca o único gol brasileiro na estréia da Copa. Aline, 21, pega o celular e liga para o filho de 4 anos para comemorar com ele.
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O que não faz a criatividade,hem CRIS.
É oq ue eu chamaria de proporcionar “duplo prazer” aos clientes,heheheh
Beijos!