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O que se pode dizer sobre o futuro do trabalho na América Latina? Para encontrar algumas respostas - ou, pelo menos, uma tentativa disso - a Manpower realizou uma pesquisa com líderes de opinião, especialistas da área trabalhista, acadêmicos e administradores públicos da Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, México, Peru e Venezuela.
O estudo, encomendado pelos escritórios do México e da América Central, constatou que, em 20 anos, a América Latina será a 2ª. região de maior crescimento, superada apenas pela África. De acordo com a análise, em 2015 a América Latina terá 10 das 60 maiores cidades do mundo e sua população rural representará menos de 20% do total. Assim, há previsão de um aumento proporcional da classe média urbana com educação superior, capacidade de compra, acesso à moradia.
Com isso, poderá haver uma pressão por mais empregos e, se não houver oferta suficiente, esse grupo social passará a fazer parte da economia informal - gerando problemas estruturais que podem prejudicar o crescimento, os serviços públicos e as pensões a longo prazo. Além disso, 2 assuntos precisarão de atenção especial: a empregabilidade das gerações mais velhas e a relação da região com a economia internacional.
Augusto Costa, presidente da Manpower Brasil afirma ser preciso uma mudança de mentalidade dos líderes regionais em relação a políticas flexíveis de contratação de mão-de-obra, como trabalho temporário e terceirização. ‘A maioria dos países latino-americanos possui uma visão contraditória da globalização que não permite aproveitar as oportunidades criadas no mercado internacional nem consolidar os valores culturais regionais. Esses fatores dificultarão, cada vez mais, a inserção da América Latina no roll de interesse dos tomadores de decisões da economia mundial’.
O executivo brasileiro também reforça a importância de investimentos em educação e na formação de profissionais. ‘O mundo está se movendo rapidamente na transformação de seus sistemas educativos, com ênfase no desenvolvimento do conhecimento científico e as chamadas ’soft skills’, promovendo uma cultura com valores e responsabilidades, mas a América Latina não resolve problemas de educação básica’.
As indústrias mais afetadas pelo uso da tecnologia serão as de petroquímica, farmacêutica e biotecnologia (México, Brasil e Argentina). A combinação desses 3 segmentos resultará em oportunidades para novos produtos de alta tecnologia - porém, trará um impacto para o mercado de trabalho, por causa da automatização e da modernização dos processos, podendo mudar a percepção da geração de valor dos profissionais. As empresas deverão implementar sistemas que fomentem a produtividade, com orientação para resultados, eficiência, criatividade e inovação. ‘Será necessário adotar nova dinâmica que se adapte aos interesses motivacionais das pessoas com talento - horários flexíveis, estruturas horizontais, trabalho à distância e outras políticas flexíveis’, finaliza Costa.
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