
Carlos José Marques:
O mesmo Brasil, que abriga mais de 14 milhões de pessoas passando fome (dados recentes do IBGE), é também o País que registra maior crescimento percentual no número de ricos de todo o mundo.
Em um relatório publicado na semana passada pela titã do mercado financeiro, a corretora norte-americana Merrill Lynch, o Brasil foi classificado em 1º. lugar no avanço de população rica. Essa parcela abonada aumentou 11,3% em 2005, contra 9,7% na América Latina e 6,5% na média mundial.
O continente latino foi um dos mais contemplados pelo crescimento desse público, só perdendo regionalmente para África e Oriente Médio. Classificados como multimilionários estão pessoas físicas com patrimônio pessoal superior a US$ 1 milhão – ficando fora da contabilidade a casa onde moram. Os 350 mil ricos latinos controlavam ao final do ano passado uma riqueza da ordem de US$ 4,2 trilhões, o que – pelos valores envolvidos e pela divisão per capita – mostra como o modelo concentrador de renda está em franca ascensão em todo o mundo. Vários analistas têm apontado que a globalização é a maior responsável por essa situação, dado que ela, embora venha melhorando o desempenho econômico de maneira geral, tem proporcionado uma distribuição social de suas benesses de forma desigual.
Tome-se outro dado que reforça essa impressão: a ONU acaba de divulgar que o mundo tem hoje cerca de 1/3 da população urbana vivendo em favelas – uma realidade bem conhecida pelos brasileiros. Segundo a organização, nessa toada, em 2020 o Brasil terá 55 milhões de pessoas morando em áreas carentes. A chocante distância entre os que têm muito e aqueles que nada conseguem só agrava o índice de violência, que no Brasil atingiu proporções de guerra civil. Os presidenciáveis não vão nunca acordar para essa discrepância?
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