
Jimmy Wales adoraria ver alguém vendendo páginas da obra virtual:
Jimmy Wales, o criador da Wikipédia, sonhou reunir todo o conhecimento humano num só lugar. Hoje faz isso com a ajuda de milhares de colaboradores na Wikipédia. Com sua nova empresa, a Wikia, ele quer mostrar que o modelo colaborativo de desenvolvimento da Wikipédia pode ser usado em outros negócios.
O que o senhor faz em sua nova empresa, a Wikia?
Jimmy Wales - Tentamos demonstrar que o estilo de construção da Wikipédia pode ser estendido a outros trabalhos. Temos experiências maravilhosas. Uma delas é a Uncyclopédia, uma paródia bem-humorada da Wikipédia. A colaboração livre dá conhecimento e poder a uma comunidade.
Como está a experiência em empresas privadas?
Wales - Estamos vendo vários exemplos de construção colaborativa, especialmente em sites. Alguns, como o BestBuy, a rede de varejo de eletrônicos nos Estados Unidos, têm uma ferramenta interna que todos os 90 mil funcionários da empresa podem usar para montar um catálogo com informações técnicas e dicas de vendas sobre os milhares de produtos listados. É uma forma eficiente de partilhar dados com os colegas numa área em que lançamentos são tão freqüentes que seria praticamente impossível construir esse conhecimento de outra forma. Estamos também vendo algumas empresas usar ferramentas colaborativas, chamadas wikis, para conduzir reuniões.
Como a Wikia se sustenta?
Wales - A Wikipédia não tem fins lucrativos nem propaganda. Nem poderia ter, pois seria um problema distribuir os anúncios na enciclopédia. Na Wikia, tudo é mantido com publicidade. Os anúncios são bons porque não interferem no funcionamento da comunidade.
Quanto vocês já gastaram?
Wales - É difícil dizer. O orçamento para a fundação da Wikipédia no ano passado foi de US$ 750 mil. Para este ano deverá ser US$ 1,5 milhão. Esse dinheiro vem quase todo do público, com pequenas doações de US$ 50 ou US$ 100. Essa é a principal origem do dinheiro que recebemos. Os dados financeiros da Wikia ainda não podem ser divulgados, mas levantamos US$ 4 milhões com investidores.

Alguns se sentem enganados por colaborar com algo que acreditam não ter fins lucrativos e depois descobrir interesses comerciais por trás. Como o senhor vê isso?
Wales - Em nossa comunidade, há o entendimento de que queremos que as pessoas tenham negócios em torno da Wikipédia. Um exemplo simples. Imagine que na Índia exista uma comunidade pobre onde poucos tenham acesso a computadores. E que ali uma pessoa descubra que é negócio imprimir páginas da Wikipédia e vender cópias para os estudantes. Não é algo digno? As pessoas poderão conseguir uma enciclopédia para os filhos por US$ 10. O conhecimento será distribuído e teremos pessoas ganhando dinheiro.
Não seria um retrocesso ver uma enciclopédia digital voltar para o papel?
Wales - Nem todo mundo na África tem um laptop e acesso à internet. Quero que tenham acesso ao conhecimento do modo que seja mais fácil.
Foto: Chip Litherland/The New York Times
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