
Cássia Almeida:
Mais de 2 milhões de famílias brasileiras conseguiram ascender na pirâmide do consumo este ano, chegando à classe média, o que representa cerca de 7 milhões de pessoas. O segmento voltou a crescer, depois de amargar anos seguidos de empobrecimento com a estagnação ou o fraco crescimento econômico do país a partir da década de 80. Emprego com carteira assinada em expansão recorde - foram criadas 1.251.557 vagas formais no último ano - crédito farto e renda do trabalhador reagindo (em maio a alta ficou em 7,7%, a maior desde 2002) são as explicações para a faixa intermediária na escala do consumo ressurgir nas estatísticas.
Indicadores do mercado de trabalho e pesquisas de consumo atestam esse avanço. O Instituto de Pesquisa Target, que anualmente acompanha o potencial de consumo de cada classe com base nas pesquisas do IBGE e da Associação Brasileira das Empresas de Pesquisa de Mercado - Abep, constatou ainda que a parcela das famílias que ganham entre R$ 1.140 e R$ 3.750 já corresponde a 66,7% do total este ano, fatia superior à registrada em 2001, que fora de 60,7%.
Com mais 2 milhões de casas na classe média, o que representa um acréscimo de 7,9% de 2005 para 2006, o consumo dessa parcela da população subirá em R$ 31,19 bilhões este ano, nas projeções da Target. Um avanço de 4,5%. ‘Há um claro movimento de ascensão social. Os domicílios da classe D (renda familiar de R$ 570) subiram na pirâmide. Compraram mais bens duráveis e, como na classificação leva-se em conta também a posse desses bens, houve o avanço para a classe média’, constatou o diretor da Target, Marcos Pazzini. O diretor diz ainda que este ano houve um aumento mais concentrado no número de domicílios das classes intermediárias. Ou seja, mais famílias do segmento se formaram. Segundo pesquisas do instituto, a migração também está se dando da classe C para as B1 e B2.
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