Empreendedores de Mercados Invisíveis

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Exame:
O paulista Edgar Werblowsky, de 51 anos, e a carioca Isabel Antunes, de 56, são empreendedores bem-sucedidos. Ele é fundador da Freeway Adventures, a maior agência de ecoturismo do Brasil, com faturamento de 11 milhões de reais. Ela é dona da rede de produtos naturais Mundo Verde, que fatura 53 milhões de reais por ano com suas mais de 100 lojas espalhadas pelo Brasil. Mas não é apenas por terem construído empresas que vêm se expandindo consistentemente nos últimos 20 anos que estão aqui. Fizeram muito mais do que isso e pertencem a uma categoria raríssima de empreendedores - aquela formada por homens e mulheres de negócios que enxergam uma oportunidade onde os outros não estão vendo nada, vão atrás dela a despeito de todo o ceticismo que os cerca e, confiantes, esperam que o tempo lhes dê razão. São visionários.

Ainda nesse grupo temos: o paranaense Fabio Bueno Netto, de 46 anos, da 24×7, companhia que vende livros em máquinas de auto-atendimento; o paulista Mario Sérgio Moreira, de 44 anos, da rede de academias de ginástica Runner; Roberto Chade, de 33 anos, da Dotz, especializada em programas de fidelidade; e Paulo Linzmeyer, de 54 anos, da catarinense Hotel 10, uma rede de hotéis de beira de estrada. E mais: o paulista Gilberto Janólio, de 45 anos, da Electrocell, uma das poucas empresas do mundo que produzem energia do hidrogênio; e os paulistas Marcelo Parodi, de 35 anos, e Cristopher Vlavianos, de 31, da Comerc (foto), que atua no mercado livre de energia. O que eles têm em comum? Todos apostaram - ou estão apostando - em mercados que nem sequer existiam quando decidiram montar suas empresas.

Erguer um negócio, sobretudo num país como o Brasil, cujo ambiente não é lá muito favorável ao empreendedorismo, nunca é fácil. Mas, quando às dificuldades naturais dessa tarefa se junta a disposição para desbravar um mercado invisível, os desafios tornam-se extraordinários. Convencer investidores de que suas idéias são viáveis. Definir preços onde não há outros que sirvam de parâmetro. Descobrir onde estão os possíveis consumidores. Catequizá-los. A lista de desafios é enorme quando tudo, absolutamente tudo, está por ser construído.

Muitos desses empresários são conhecidos - e imitados - em seus mercados. No início, eram vistos como corpos estranhos. Foi assim com Isabel. Ao abrir a primeira loja de produtos naturais, há 19 anos, em Petrópolis, no Rio de Janeiro, ela ganhou fama de biruta e de ser ligada à seita hare krishna. ‘Ninguém aqui acreditava que as pessoas iriam querer comer arroz com casca e açúcar encardido’, diz ela, que conhecera os princípios da alimentação natural nos Estados Unidos, onde morou por alguns anos. Eram tempos em que a batata frita e o hambúrguer de fast food dominavam o mercado americano. ‘Eu aderi e estava convencida de que, mais cedo ou mais tarde, haveria um número grande de brasileiros dispostos a mudar seus hábitos de alimentação’, diz Isabel. Ela estava certa. Hoje, o mercado de produtos naturais nem pode mais ser chamado de alternativo. Movimenta 160 milhões de reais por ano no Brasil e as grandes redes de supermercados, como o Pão de Açúcar, reservam um generoso espaço de suas prateleiras para vender cevada, soja e produtos orgânicos. Presente em 11 estados, a Mundo Verde nunca perdeu a liderança nesse varejo e agora, prepara-se para inaugurar sua primeira franquia fora do Brasil, em Angola.

Werblowsky também era visto como esquisito. Ele chegou a ganhar o apelido de bandeirante moderno - o que não deixava de ser um pouco verdade. Nos anos 80, ele era um engenheiro que, nos fins de semana, se juntava a outros mochileiros que gostavam de caminhar no meio do mato e dormir na companhia de mosquitos. ‘O contato com a natureza aliviava o estresse e nos devolvia algo que o ser humano perdeu vivendo na cidade’, diz. ‘Tive um desejo enorme de dividir essa sensação com outras pessoas, que também tinham vontade de experimentar isso, mas não sabiam por onde começar.’ Assim, sem nenhum plano de negócios ou estratégia elaborada, nasceu a Freeway. Continue lendo

 

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