Home-Office Longe De Se Popularizar No Brasil

Daniele Alves:
Acordar e conectar-se à internet. Trabalhar até 12h em um único dia sem sair de casa. Entre um e-mail e o fechamento de um relatório, dar atenção aos filhos e à esposa/marido. Quando adotou essa rotina, há pouco mais de 6 anos, o paulista Maurício Gaudêncio imaginava estar em linha com uma tendência irreversível: a do trabalho a distância. Gerente de desenvolvimento de negócios da Cisco Systems – uma multinacional na qual todos os funcionários estão autorizados a realizar suas tarefas em casa –, ele logo sentiu os benefícios do chamado home-office. ‘Ainda hoje, minha produção chega a ser 3 vezes maior’, garante. E ele não foi o único. No final dos anos 90, com a popularização da rede mundial de computadores, milhares de empresas passaram pela experiência de mandar suas equipes para casa.
‘Chegou-se a prever que os edifícios comerciais ficariam vazios, pois a maior parte das pessoas iria realizar suas tarefas a distância’, relembra o analista Francisco Gonçalves, da Teleoffice Consultoria. Passados 6 anos, Gaudêncio e os demais entusiastas do home-office formam um grupo pequeno. O método é utilizado, basicamente, por grandes multinacionais – como a Cisco –, que trazem para o Brasil o método aplicado em outros países. ‘São companhias cujos processos de trabalho são mais flexíveis’, comenta Ligia Silveira, diretora da DCO Consultoria e Outplacement, de Porto Alegre.
Os escassos dados disponíveis revelam que o trabalho a distância ainda não deslanchou no Brasil. De acordo com estimativas da Sociedade Brasileira de Teletrabalho e Teleatividade (Sobratt), 3 milhões de funcionários no país cumprem jornada fora da empresa. Mas é preciso dar um desconto: a estatística abrange profissionais que, de uma forma ou de outra, acabam trabalhando longe da empresa de vez em quando – como vendedores, distribuidores etc. Defensor do teletrabalho, o assistente executivo da Sobratt, José Neto, afirma que é cedo para se concluir se o conceito ainda tem chances de se popularizar no Brasil. ‘É uma estimativa. Não há dados oficiais a respeito’, informa. Porém, proporcionalmente, não há como negar que o Brasil está longe de alcançar países como os EUA, onde 45 milhões de pessoas trabalham em casa, segundo estimativa da Associação e Conselho Internacional de Teletrabalho (ITAC, na sigla em inglês).
Diversos fatores impedem a popularização do trabalho por aqui. A começar pela cultura de desconfiança que impera entre patrão e empregado. Em muitas empresas, persiste a visão de que funcionário ausente não produz. ‘Muitos chefes precisam ter vários empregados sob a ‘asa’. Do contrário, na hora em que ficam sozinhos, se sentem privados de poder, de autonomia’, explica. Não por acaso, a maioria das organizações controla o desempenho de seus funcionários de acordo com a quantidade de horas trabalhadas e a pontualidade – e não conforme o resultado que apresentam. ‘Temos de aprender a valorizar o profissional que gera idéias, que é criativo e apresenta resultados trabalhando tanto 10 minutos quanto 10 horas por dia’, opina Ligia Silveira. Nas multinacionais habituadas a esse sistema, existem métodos de gestão que acompanham a produtividade de cada um. Atualizado com freqüência, esse monitoramento impede que um ou outro funcionário confunda home-office com mamata. ‘Quem se julga esperto e fica um tempão sem produzir nada conseguirá resistir por, no máximo, 3 meses. No 4º. mês, ao prestar contas sobre os resultados, vai acabar dançando’, destaca Gaudêncio. Veja também: Hora Extra e Você Trabalharia Nu?
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Será que não é precipitação em afirmar que este estilo de trabalho esteja longe de se popularizar,CRIS??
E BEM difícil trabalhar em casa às vezes.
Sem muita gente real para trocar idéia e assim por diante…
Mas certamente se trabalha mais do que no escritório. Muito mais.