
Mariana Ditolvo:
‘Diário online com reflexões e comentários’. A palavra blog foi assim definida em 2005 na versão impressa do dicionário Merriam-Webster. Porém, o recém-incorporado verbete seguiu a velocidade da internet e já tem mais alguns sinônimos a serem acrescentados. Entre eles estão: promoção de uma marca, proximidade com consumidores, transparência empresarial e pesquisa de mercado.
A mais nova vertente é chamada de blog corporativo, reconhecida como excelente estratégia de negócios. Tendência transformada em fenômeno nos Estados Unidos, os blogs corporativos já são utilizados por 34% das grandes empresas americanas e, segundo pesquisa da consultoria Jupiter Research, 35% das restantes lançarão suas páginas até o final de 2006. Apesar de não haver números oficiais que acompanhem o mercado brasileiro, sabe-se que as empresas nacionais vão, aos poucos, aderindo à novidade. ‘Os blogs são uma maneira de interagir com consumidores e fornecedores em um cenário totalmente diferente’, conta Marcelo Tripoli, sócio da iThink, agência voltada para marketing na internet. Ele é um dos empresários brasileiros que estenderam suas ações para fora das 4 paredes virtuais do escritório. Em seu blog, iFound, ele posta não apenas as novidades de sua agência como mantém leitores e clientes informados sobre o que acontece no mundo da tecnologia. Por mês, cerca de 1,5mil pessoas visitam o seu endereço e 500 usuários cadastrados recebem o conteúdo por email. ‘A audiência aumenta e o interesse pela empresa cresce junto’, afirma.
Schwartz: CEO da Sun anuncia decisões pelo seu blog.
Na nova tendência, não são apenas os donos das empresas que se aventuram a atrelar suas opiniões à imagem da empresas. Alguns nomes importantes por trás de grandes companhias põem a cara à tapa na rede mundial de computadores. Uns optam por utilizar os blogs como canal de comunicação interna com seus funcionários, como fez Emilson Alonso, presidente do HSBC no Brasil. Ele criou sua página na intranet do banco (além de ter uma página no Orkut bastante acessada) e abriu espaço para expor opiniões e ficar por dentro do que pensam e que querem seus funcionários. Nos comentários estão vetados palavrões, mas de resto, pode tudo. ‘Vou aprendendo sobre a organização, os processos, a percepção das pessoas. E isso acaba alimentando as políticas que a gente faz’, contou Alonso ao lançar o blog, que teve mais de 200 mil acessos no 1º. mês. Um pequeno problema, entretanto, é filtrar as mensagens explícitas de adulação à chefia.
Há, por outro lado, executivos que compartilham – literalmente – suas opiniões e o dia-a-dia no trabalho com os mais de 1 bilhão de pessoas conectadas. Um deles é Ricardo Carreón, diretor-geral para a América Latina da fabricante de chips Intel. Para otimizar o contato com a equipe responsável pela região ou com interessados em assuntos que envolvem os países emergentes, Carreón montou um blog na rede da Intel, pelo qual realiza reuniões e torna os assuntos corporativos mais informais. Depois do sucesso interno (60 mil funcionários acessam seu blog diariamente), o executivo montou também o Ricardo’s Blog. Lá, posta artigos sobre tecnologia, fotografia, meio ambiente e assuntos ligados à América Latina. ‘É uma ótima experiência. A comunicação fica mais forte’, diz ele.
O principal atrativo dos blogs, do ponto de vista das empresas, é conquistar e fidelizar leitores, clientes e fornecedores. No blog, lançado em maio, gerentes da construtora Tecnisa colocam no ar 2 novos artigos por semana, mesclando assuntos específicos do setor e comentários de interesse geral. Com isso, a empresa conseguiu aumentar o contato com fornecedores, consumidores e, até mesmo, com bancos. ‘Grande parte dos novos negócios é conquistada, de alguma forma, por causa do blog’, acredita Romeo Busarello, diretor de marketing da Tecnisa. ‘Até empréstimos bancários ficaram mais fáceis.’ Importante é sublinhar a diferença entre o blog e o site comum de empresas. No site, a Tecnisa poderia colocar artigos, mas eles não serviriam como um fórum de conversas com os leitores. Essa é a função espiritual do blog: abrir uma porta informal de comunicação, que não cabe nos sites institucionais. Pequenos empresários também têm conseguido bons resultados com blogs.
Gente, olha o nosso querido Beto aqui -> É o caso da Doceshop, loja de doces que vende por atacado e varejo apenas para a cidade de Ribeirão Preto e região, no interior de São Paulo. Roberto Machado, dono da loja, decidiu montar o blog para o qual transporta todos os desafios e curiosidades de seu dia-a-dia na empresa. Por exemplo: o empresário conta as peripécias enfrentadas por ele quando uma de suas máquinas precisou ir para a manutenção. Lá também é possível encontrar um mural de classificados aos moldes dos que ficam pregados nos corredores das companhias, em que os funcionários anunciam o que querem vender. Segundo Machado, nos últimos 3 meses, 1,5 mil novos usuários visitaram o site depois de terem conhecido o blog. ‘Além de ampliar meus contatos, já estou começando a vender para fora do Estado’, afirma.
Se diante de tudo isso você se pegou correndo para o computador para criar seu blog, atenção: é preciso disciplina para manter o endereço atualizado e coragem para conversar francamente com os leitores. No mundo em expansão da blogosfera, nome dado ao universo de blogs em operação no mundo, já existem 50 milhões de endereços cadastrados e são criados outros 75 mil por dia. Em apenas 3 anos, segundo a consultoria especializada no assunto Technorati, o número de diários virtuais criados na rede cresceu 60 vezes. A regra para os que querem fazer parte da blogosfera é atrair a atenção sem perder credibilidade. Jonathan Schwartz, presidente da Sun Microsystems, comentou em primeira-mão com seus leitores sobre a intenção da companhia em abrir para o mundo o código de seus softwares e não mais cobrar licença pelo uso dos mesmos. Em seu último comentário, Schwartz narra um almoço com o primeiro ministro britânico, Tony Blair. Fez sucesso, angariou simpatias e multiplicou o número de seus leitores.
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Sou muito suspeito em falar sobre isto,CRIS. Mas acho que tem que ser muito bem analisado,pois pode se virar contra a empresa.
Beijos!
Blogsfera: meio ou ferramente para/de lucro
Obrigado pelo destaque neste artigo Cris!
Um grande abraço.