
Acessórios femininos feitos com lona de caminhão usada, são exportados para a Inglaterra e os Estados Unidos.
Regina Xeyla:
Das estradas de rodagem do Brasil direto para as butiques de luxo dos Estados Unidos e da Inglaterra. Esse tem sido o destino das lonas, depois de terem coberto os caminhões que rodam pelas estradas brasileiras. Mas isso acontece após as lonas terem passado pelas mãos do empresário Rodrigo Nicolas, e sua sócia, a designer Cláudia Coelho. A dupla transforma lonas usadas em sofisticadas bolsas, cintos, carteiras, e em breve sapatos femininos. O sucesso dos produtos se deve à combinação entre o material rústico, com cristais, metais e couros nobres.
A idéia de trabalhar com lona de caminhão surgiu na infância, quando Rodrigo observava os caminhões que saiam da fábrica de seus avós. A família era proprietária de uma grande rede de confecção de fabricação própria. Sobre influência de seu pai e avós, interessou-se por trabalhar no mesmo ramo, porém, na produção de um produto diferenciado, que ninguém tivesse pensado.
Após 1 ano na Inglaterra, Rodrigo retornou a Florianópolis, pensando em trabalhar com material reciclado, mais especificamente com a lona de caminhão. Conheceu Cláudia Coelho e viraram sócios. Ela ficou responsável pelo desenho dos modelos das peças. Hoje, a Kargo Lona, gera 6 empregos diretos e 50 indiretos, por meio das 4 fabricas terceirizadas. A empresa também conta com o trabalho de pessoas espalhadas por todo País, responsáveis pela compra direta das lonas junto aos caminhoneiros.
Utilizando material reciclado, os sócios conseguem aliar um trabalho de cunho socioambiental, com baixo custo na compra da matéria-prima. Uma lona nova custa, em média, cerca de R$ 2 mil a R$ 3 mil. Já a lona usada sai na faixa de R$ 1 mil. Se não são reutilizadas, as lonas velhas podem ser abandonadas na beira das estradas, sujando o meio ambiente e acumulando água parada da chuva, o que colabora para a proliferação do mosquito da dengue.
A lona passa por um processo de tratamento e na maioria das vezes a perda é de 50% do material. ‘Não podemos deixar que a lona vá para o corte, manchada, furada ou com ferrugem. Além de prezarmos pela qualidade, as butiques estão cada vez mais exigentes’. O processo para lavação e amaciamento passa por 7 etapas, dentro de uma lavanderia industrial, até chegar ao toque ideal para produzir as peças. Pela dificuldade na perfeição do tecido, os acessórios feitos de lona de caminhão são produzidos de forma artesanal.
Cristais, couros nobres, peles e metais de qualidade são elementos que, muito além de complementar a simplicidade da lona, trazem a sofisticação para as bolsas e acessórios que levam a assinatura Kargo Lonas. ‘Conseguimos transformar uma lona usada de caminhão em peças com estilo e elegância. A Kargo mistura um material bastante rústico, com o charme de materiais nobres tornando as peças exclusivas, um tendência que cresce cada vez mais no meio feminino’, afirma Rodrigo.
Hoje, os sócios produzem 600 bolsas por mês, cerca de 300 cintos e carteiras. Dentro de 2 a 3 meses, a empresa vai lançar uma linha de sapatos. A idéia tão diferente e inusitada ganhou o mundo e eles já exportam para os EUA e Inglaterra. Os produtos estão espalhados em 400 butiques do País, e 10 butiques no exterior.
Subscribe 

