Viva Favela:
Nas comunidades
de baixa renda conta-se nos dedos os moradores que têm computador em casa e no Complexo do Cantagalo, Pavão e Pavãozinho a realidade não é diferente. A população das 3 favelas situadas na Zona Sul do Rio, sofre com o problema da não inclusão digital e da falta de recursos financeiros para comprar seu próprio equipamento. Os poucos que dispõem desta facilidade acabam tendo a vantagem de cobrar pelos mais variados serviços na área de informática.
‘Trata-se de um negócio lucrativo’, afirma Denilda de Carvalho (foto 1), 30 anos, solteira, que comprou computador, já pensando no dinheiro que iria ganhar. ‘Faço esse tipo de serviço há 3 anos e o investimento valeu a pena’, garante.
A secretária da Associação de Moradores do Pavãozinho, Fernanda Faustino (foto 2), 26 anos, solteira, 2 filhos, compartilha da mesma opinião: ‘Aqueles que vivem exclusivamente desse trabalho, faturam de R$250 a R$300 por mês. Dependendo da quantidade de trabalho dá pra tirar até bem mais que isso, afinal, hoje em dia tudo precisa de informática’, conclui.

Fernanda, presta este tipo de serviço para a comunidade. ‘Eles pedem principalmente cartas de compra, venda ou aluguel de imóvel. Cobro de R$3 a R$5, dependendo se a impressão for colorida ou preto e branco’. Como não tem computador em casa, a maior parte do que é arrecadado fica para o centro comunitário.
Ela diz que não vê a hora de ter seu próprio PC para trabalhar nos fins de semana e aumentar o orçamento. Ela arrisca dizer que no Pavão e Pavãozinho devem ter aproximadamente 50 computadores. ‘Uma quantidade pequena em vista do grande número de habitantes. Mesmo o computador sendo uma necessidade, poucos são aqueles que têm um em casa’, lamenta.
Existe trabalho o ano inteiro, mas o período mais tranqüilo é o das férias. Já os mais sobrecarregados, são os meses de abril, maio, setembro e novembro. ‘Os professores passam muitos trabalhos nesta época. A gente sabe que não vai faltar trabalho para fazer e já faz até dívida sabendo que pode contar com aquele dinheiro’, conclui Denilda. Foi assim que pôde enfim comprar seu computador. ‘Em 7 vezes, só com o dinheiro da digitação’. O compromisso de pagar o equipamento mudou sua rotina e não tinha nem como pensar em rejeitar serviço.
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Acho uma iniciativa pra la de valida,CRIS
Beijos e otimo feriado!