Dos bens de consumo vendidos online no Brasil, uns 10% são C2C, transações realizadas entre consumidores. Normalmente os produtos são novos e vendidos a preço fixo. E as pequenas empresas estão aderindo.

Dailton Felipini:
Conhecida na Internet como C2C, abreviação simplificada de ‘Consumer to Consumer’, a transação online realizada entre pessoas físicas é uma espécie de ‘terceira onda’ do comércio eletrônico.
No início dos negócios na internet, predominaram as transações entre empresas; em um segundo momento, assistimos a um forte crescimento das transações entre a empresa e o consumidor, e agora começa a se destacar também o comércio eletrônico realizado diretamente entre pessoas físicas.
Essa ordem de evolução faz sentido se considerarmos que as empresas, por sua característica de inovação, estavam inicialmente mais preparadas para desbravar o novo ambiente de negócios. A partir do momento em que as pessoas físicas ganharam confiança na internet, começaram a transacionar com as empresas e também diretamente com outras pessoas.
É interessante lembrar que a economia tradicional também apresenta ambientes de negócios do tipo C2C, como é o caso do jornal Primeira Mão, que possibilita a compra e a venda de produtos por meio de anúncios. Também as vendas de porta em porta, como as promovidas por Avon, Natura e outras, caracterizam-se pela transação entre 2 pessoas físicas, embora, nesse caso, exista uma empresa dando respaldo ao vendedor. No Brasil, o grande líder do mercado C2C é o Mercado Livre.
Como funciona o comércio eletrônico C2C?
Os negócios C2C são realizados por meio de uma plataforma eletrônica na internet e intermediados por empresa que oferece a infra-estrutura tecnológica e administrativa. Tanto o comprador quanto o vendedor devem estar cadastrados no sistema e são avaliados pelos membros da comunidade de negócios pela quantidade de transações que já realizaram e pelas notas que receberam em cada transação, numa espécie de ranking dos bons negociadores.
Outro mecanismo que oferece mais segurança aos usuários é o chamado ‘mercado pago’, um sistema com o qual o Mercado Livre recebe o pagamento do comprador e o transfere ao vendedor, após a entrega normal da mercadoria.
Alguns dados sobre o e-commerce C2C, obtidos junto ao Mercado Livre, indicam fortes tendências: apesar de o negócio ter sido iniciado no formato de leilão, hoje, cerca de 90% das transações no site são realizadas a um preço fixo estabelecido pelo vendedor; além disso, 80% dos produtos oferecidos são novos, diferentemente do que ocorria no início, onde a regra era a comercialização de produtos usados; e, por fim, nota-se, cada vez mais, a presença também de pequenas empresas oferecendo seus produtos.
Razões para o sucesso do comércio eletrônico C2C
A realidade é que os negócios C2C caíram no gosto do brasileiro, assim como já ocorre em outros países.
Mensalmente, cerca de 1 milhão de transações são concretizadas na plataforma do Mercado Livre e, em 2005, as vendas superaram U$ 300 milhões, cerca de 10% das vendas B2C de bens de consumo online no Brasil. As principais razões para esse crescente sucesso do C2C são: a possibilidade de uma renda extra para quem vende e as ofertas a preços baixos para quem compra, fatores extremamente estimulantes em um país caracterizado cada vez mais por poucos empregos e baixa renda.
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