
Pedro Alonso:
O turismo de solteiros que viajam sozinhos nas férias e o de pessoas que visitam regiões de risco - como as favelas brasileiras - são 2 fenômenos que estão no auge, revelou um relatório divulgado pela Feira Internacional de Turismo de Londres.
Conhecido também como World Travel Market - WTM e considerado uma das grandes reuniões anuais do setor turístico, o evento foi inaugurado no palácio de exposições Excel, às margens do rio Tâmisa - sudeste da capital britânica.
Como impulso para a feira, a organização divulgou seu ‘Relatório de Tendências Globais 2006′, que identifica um novo nicho de mercado: a crescente procura de pessoas solteiras - tanto homens como mulheres - por viajar sozinhos nas férias.
O Reino Unido, país pioneiro em muitos campos da indústria turística - as companhias aéreas de vôos baratos na Europa, por exemplo, nasceram há alguns anos no país -, está crescendo como o lugar onde essa tendência se reflete de forma mais acentuada.
‘À medida que o número de solteiros no Reino Unido cresce, viajar sozinho nas férias está se transformando em algo comum e socialmente aceitável’, afirma o documento, elaborado pela empresa de análise Euromonitor International.
No entanto, a WTM, que está na 26ª edição, considera que ‘as férias de solteiros continuam sendo um setor relativamente pouco desenvolvido, o que representa um espaço vazio que é preciso preencher no mercado’.
O perfil destes viajantes é de pessoas de idades entre 25 e 40 anos, com alto poder aquisitivo e caracterizadas por ’se concentrarem em sua carreira profissional e uma intensa vida social’, adiando a formação de uma família.
O relatório classifica este tipo de turista em 2 categorias: os viajantes independentes que querem desfrutar de aventuras e adquirir novos conhecimentos e as pessoas solteiras que tentam buscar um companheiro durante as férias.
Segundo o texto, as empresas turísticas, normalmente mais interessadas na venda de pacotes de férias para casais ou grupos, precisam se adaptar às necessidades dos turistas solteiros se quiserem aproveitar esse ‘lucrativo negócio’.
Outro nicho de mercado que está decolando é o ‘turismo de realidade extrema’, que leva viajantes a regiões com certo risco, como o ‘turismo de favela’ no Brasil. A visita às favelas brasileiras é uma das modalidades do ‘turismo de risco com segurança’, que consiste na visita dos turistas a essas áreas marginalizadas, que sofrem com a pobreza, violência e tráfico de drogas.
Além do ‘turismo de favela’, também há turistas interessados em ir a áreas perigosas em alguns países da África, como Serra Leoa e Somália, e no Afeganistão. ‘Pessoas que já viajaram muito, particularmente as que têm muito dinheiro e pouco tempo, estão buscando experiências mais intensas. Isso gerou uma crescente demanda pelas férias por um fio‘, afirmam os especialistas da WTM.
Outra conclusão dos analistas da Euromonitor International é que a Europa não está preparada, em infra-estrutura e serviços, para atender à crescente demanda de economias emergentes asiáticas, como a China e a Índia.
O texto adverte que ‘a Europa corre o risco de que outras regiões competitivas, como o Oriente Médio, a América Latina e a África, valorizem melhor o potencial que estes turistas (asiáticos) de alto poder aquisitivo oferecem’.
A FITL, que terminará na 5ª.f., reúne mais de 5 mil estandes representando mais de 200 países neste ano. Quase 50 mil profissionais do setor farão negócios e contatos.
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