No país do cheque elástico, pesquisa do Data Popular revela estratégias dos consumidores das classes C, D e E para obter financiamento na informalidade e o desafio dos bancos para atingir este público.

Alexandre Teixeira:
… É caro ser correntista de banco no Brasil. Muitas vezes, o custo-benefício de ter conta bancária simplesmente não compensa para muitos brasileiros das classes C, D e E – ou seja, para 87% da população brasileira. Entram na conta desde o gasto com condução para ir ao banco até as famigeradas tarifas.
Para começar, o consumidor mais pobre prefere recorrer ao varejo para pagar contas e tomar crédito. Em geral, vai a uma loja perto de casa, conhece o dono e não enfrenta muita fila. Instituições financeiras, ao contrário, são consideradas hostis. O brasileiro das classes baixas muitas vezes não tem comprovante de renda nem de residência e sabe que não pode encarar os juros das financeiras. Por isso, recorre a expedientes engenhosos para se financiar. O ‘bolão do crédito’ é um deles. Tome-se, por exemplo, um grupo de 5 feirantes. Cada um deposita R$ 50 por mês numa caixinha. Faz-se um sorteio mensal, e o vencedor sai com R$ 250 no bolso. Paga zero de juros, contra 2,3% ao mês numa operação de microcrédito.
Outros ‘truques’ do crédito popular são os chamado ‘cheques elásticos’ e o uso compartilhado do cartão de crédito – o chamado ‘cartão coração de mãe’, que toda a família usa. Confira!
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