Ao ‘desligar’ molécula, pesquisadores da Unicamp conseguiram aumentar produção e eficiência da insulina no organismo.

Reinaldo José Lopes:
Uma possível nova arma contra o diabetes tipo 2 rendeu a um pesquisador da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) o prêmio de melhor tese de doutorado do país na área de ciências biológicas. A estratégia teve sucesso em testes com animais e agora vai ser explorada por um laboratório brasileiro, que tentará desenvolver um novo medicamento contra a doença.
‘A vantagem é que a nossa descoberta ajuda tanto a aumentar a produção de insulina no organismo quanto a eficiência dela em vários tecidos. Os medicamentos no mercado hoje só fazem uma dessas 2 coisas’, disse Claudio Teodoro de Souza, autor da tese premiada pela Capes (Coordenadoria de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior). Por meio de uma parceria com o laboratório Aché, os pesquisadores esperam que o medicamento seja também mais barato que os disponíveis hoje, feitos com tecnologia estrangeira.
Souza, sob orientação de Lício Velloso, desvendou a função de uma proteína de nome indigesto: PGC-1alfa. Essa molécula atua sobre certos fatores de transcrição, os botões de ‘liga e desliga’ dos genes. É a ação desses fatores que determina se um gene está muito ou pouco ativo. Em ratos e camundongos diabéticos, tudo indica que a PGC-1alfa atua de forma a diminuir a produção e a eficiência da insulina, mantendo altos os níveis de glicose (açúcar) no sangue.
Assim, os pesquisadores usaram uma técnica que desliga o gene responsável pela produção da proteína. E viram que a situação mudava: a insulina voltava a ser feita pelo pâncreas. Uma das razões para isso, é que a ausência da proteína fazia aumentar os níveis do ‘combustível’ das células, o ATP, no pâncreas. Ele tinha mais gás para produzir a substância reguladora.
Na outra ponta do sistema, tirar a proteína de circulação também facilita a interação da insulina com os tecidos do organismo, como os dos músculos e do fígado.
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