
MidiaSemMascara:
… Lamentável, mas compreensível; empreender, no Brasil, significa ‘altíssimo risco’. Ora, em toda atividade empreendedora há riscos. Toda escolha envolve riscos. Isso é bom. Isso é saudável.
Acontece que, no ambiente brasileiro, há que lidar com outros elementos que acabam acentuando os riscos e tornando-os praticamente inaceitáveis. Por exemplo, temos a corrupção. Se o ambiente tolera a corrupção (os últimos resultados eleitorais são uma evidência disso), quem age de acordo com as regras do jogo está automaticamente em desvantagem competitiva com relação a quem passa a perna nos outros para alcançar seus propósitos.
Outro elemento é a morosidade da Justiça. Quando se tem um negócio, a última coisa que se quer é ter de esperar anos a fio para que a Justiça dê uma solução a um conflito. Essa espera significa perda. Grande perda. Ainda outro fator é a falta de clareza com relação aos direitos de propriedade, já que o respeito à propriedade está na base da prosperidade de qualquer sociedade que se pretenda minimamente livre.
Já que empreender, no Brasil, significa ter de lidar com essas e outras dificuldades, as pessoas acabam querendo empregos estáveis. Existe algo mais estável, no Brasil, do que o funcionalismo público? Ora, é natural que as pessoas tenham como objetivo os concursos públicos - porque o que querem é estabilidade.
Poucos querem correr riscos e mesmo os que têm ímpetos empreendedores e inovadores devem estar cientes de que os nossos riscos são piores do que os riscos que há em muitos outros lugares. No Brasil, a propensão ao risco beira a estupidez. Pena, pois são os indivíduos propensos ao risco os que realmente fazem história.
Formações universitárias, portanto, acabam sendo desprezadas em favor de diplomas universitários. Acaba sendo mais atrativo decorar (ou colar) para passar nas matérias, conseguir um título e logo seguir decorar (ou colar!) para passar em um concurso público. São poucos (e são heróis!) os que estão dispostos a queimar as pestanas estudando e virando noites para aprender de verdade, para desenvolver habilidades e para poder, um dia, competir com essas habilidades no mercado.
A triste realidade é que as pessoas não querem aprender, o que querem é passar em concursos. Não querem ser agentes no mercado, não estão interessadas em dinamizar as atividades econômicas (a única maneira, por sinal, de gerar crescimento sustentável!). O que as pessoas querem é engrossar as fileiras do funcionalismo público. Com isso, o Estado incha cada vez mais e, quanto mais inchado fica, mais funcionários públicos requer, mais concursos públicos são abertos e o ciclo se repete, caracterizando a retroalimentação da burocracia e do paternalismo estatal.
Sim, a educação é um dos maiores problemas no Brasil e é uma das principais causas do baixo crescimento do país em comparação com outras economias emergentes. Só que não adianta aumentar os investimentos em educação se o que falta, na realidade, é vontade de aprender. O que é necessário fazer é mudar a mentalidade que louva o parasitismo social patrocinado pelo Estado e criar as condições para que as atividades econômicas possam se desenvolver e gerar riqueza para toda a sociedade.
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