Usina De Lucros - Investidores Estrangeiros Invadem O Brasil Em Busca De Álcool

* Etanol Brasileiro Deve Movimentar US$ 15 Bi Em 2010
* A História Do Álcool Brasileiro
* Conheça Os Maiores Compradores De Álcool Do Brasil
* Da Cana Brasileira, Sai Até Eletricidade
* Tecnologia De Usina Brasileira Chega Até À Jamaica

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G1:
Junte a alta nos preço do petróleo no mercado internacional, a adoção de políticas públicas por países desenvolvidos para incentivar o uso de combustíveis alternativos e menos poluentes e uma vocação natural para plantar cana-de-açúcar e construir usinas e está explicado o sucesso do álcool brasileiro.

Ao lado dos Estados Unidos, o Brasil ocupa a posição de líder no setor sucroalcooleiro mundial e vem atraindo uma onda de investidores estrangeiros para o país. O etanol, quem diria, deixou de ser um produto tupiniquim para virar a vedete dos combustíveis em todo o mundo.

Veja aqui a trajetória da produção brasileira de álcool, que começou a ser misturado na gasolina em 1931.

A tecnologia das usinas nacionais também é produto de exportação – até para a Jamaica. Leia aqui.

A cana-de-açúcar chegou na Bolsa de Valores. Leia aqui.

Por que tanto interesse no álcool brasileiro? No ano passado, o mercado brasileiro de etanol movimentou US$ 6 bilhões. Em 2010, deve chegar a US$ 15 bilhões (leia aqui). Além disso, a usina brasileira é a única do mundo que tira do mesmo pé de cana álcool, açúcar e eletricidade (leia aqui).

Saiba quem são os maiores compradores de álcool do Brasil aqui.

Até o site norte-americano Google veio dar uma olhada. Em janeiro, seus donos estiveram no Brasil para visitar usinas do grupo Cosan. ‘Temos muito interesse no uso de energia limpa e quisemos ver as iniciativas da empresa neste sentido’, disse na ocasião o empresário Larry Page, referindo-se à área do Google voltada para assuntos ambientais. O investidor húngaro George Soros fechou em fevereiro a compra da usina Monte Alegre, em Minas Gerais. Em 2006, o mercado estima que o setor de etanol deve receber investimentos de US$ 9,6 bilhões, entre construções de novas usinas, aquisições e expansões.

(Em tempo: o mega-empresário Bill Gates também aderiu ao negócio do álcool, mas lá nos Estados Unidos. Em abril, a Cascade, empresa privada do dono da Microsoft, comprou 25,5% de participação em uma empresa que produz e distribui etanol (álcool combustível) de milho em estados do Oeste americano, a Pacific Ethanol.)

A entrada estrangeira no mercado brasileiro de álcool teve início em 2000, quando o grupo norte-americano Louis Dreyfus adquiriu 3 usinas no Brasil. Juntas, elas produzem 8 milhões de toneladas por ano. No ano seguinte, a casa de comércio francesa Tereos (ex-Béghin-Say) entrou como sócia de 6% das ações da Cosan. Além disso, possui 3 usinas. Neste ano, os grupos de capital argentino e americano Adeco e a americana Cargill fizeram aquisições no país. A Infinity Bio-Energy, multinacional com ações negociadas na bolsa de Londres, adquiriu e já opera 3 usinas de produção de álcool e açúcar, no valor de US$ 200 milhões. Além disso, anunciou em outubro a aplicação de US$ 500 milhões em mais 5 usinas (3 novas e 2 aquisições), até o fim de 2007.

De acordo com dados da Unica, a associação dos produtores do setor, as companhias estrangeiras detêm hoje cerca de 5% da produção de cana do país, ou seja, quase 20 milhões de toneladas – percentual pequeno quando comparado a um total estimado em 420 milhões produzidos no Brasil. Ou seja, ainda há espaço para muitas aquisições.

Para o presidente da Unica, Eduardo Pereira de Carvalho, nos próximos anos o processo de aquisições de usinas vai continuar, como parte do processo de concentração e consolidação do mercado. Embora acredite em futuras entradas de dinheiro estrangeiro no mercado de álcool do Brasil, Carvalho não prevê grandes mudanças na relação entre o que é produzido por capital nacional e o que é feito com recursos estrangeiros, no curto prazo.

‘É fato de que hoje temos todo o mercado asiático, europeu e sul-americano olhando pra esse setor, pensando em entrar nele ou aumentar investimentos. Eles estão analisando, participando, fazendo ofertas’, diz o analista e sócio da consultoria KPMG, André Castello Branco.

Segundo ele, o alvo dos potenciais compradores estrangeiros são usinas que produzam mais de 1 milhão de toneladas de cana por ano. ‘Antigamente a procura era maior por usinas no Centro-Sul. Agora a demanda está tão grande que pode ser no Centro-Oeste, no Norte, até no Nordeste’.

 

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