Quando a empresa supera o próprio dono é hora de se preparar para a crise de crescimento.

Marco Roza:
Os empresários e empresárias brasileiras são antes de mais nada homens de grande determinação. São desafiados a todo momento a sobreviver com juros extorsivos, com impostos que beiram o absurdo, com a falta de pessoal qualificado e com o relacionamento com seus colaboradores que passa sempre pelo crivo do advogado trabalhista. Mesmo assim, são vencedores até atingir a adolescência da empresa, mais ou menos por volta dos 12º. aniversário.
É mais ou menos a época em que a empresa começa a superar o próprio criador, em que a equipe precisa assumir sua autonomia e que a visão única e enérgica do fundador ou fundadora começa a atrapalhar mais do que ajudar no avanço e sobrevivência da organização.
A crise de crescimento se instala e tem como característica a percepção do dono(a) que algo urgente precisa ser feito. Mesmo que não saiba muito bem por onde começar. Geralmente, o problema está nas relações fixas que o proprietário(a) criou ao longo dos últimos cinco ou seis anos, época em que a empresa se consolidou e começou a crescer.
Lá está o parente, o sócio, o empregado(a) que se vale do posto e da antiguidade de 5 anos para impor seus pontos de vista do passado. São pessoas que insistem em fazer com que a empresa volte para a tranqüilidade do escritório vazio, dos poucos problemas com a folha de pagamento, com a disponibilidade de tempo para férias prolongadas.
O dono do empreendimento que muito mais que o olho mantém o coração e mente envolvidos no processo de sobrevivência da empresa geralmente acorda a tempo. E se manifesta. No início, com ressentimento. Demonstrando raiva e impotência.
Aos poucos vai buscar ajuda dentro e fora da empresa. Internamente, o aconselhável é ouvir muito os novos clientes, colaboradores e fornecedores. Do lado de fora, é bom estar atento às sugestões de especialistas, ao vivo ou através de seus textos ou livros, e incorporar a nova visão à prática dos seus negócios.
A crise de crescimento obriga o proprietário a adotar atitudes doloridas. Vai ter que abrir mão da pirraça daquele sócio que se vale do tempo de casa e da amizade com o sócio-majoritário. E isso é muito chato, às vezes. Vai ter que se livrar daquele parente incômodo, mesmo que tenha que mantê-lo na folha de pagamento.
Mas vai romper a barreira da adolescência e crescer até que a velhice o subtraia da direção da empresa. Mas quem superar bem a crise de adolescência está preparadíssimo para gerenciar a transferência de poder para as novas gerações. Ou morrer tentando.
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