
Diario do Nordeste:
Em uma região ameaçada pela desertificação, preservar o pequeno pedaço de terra e mantê-lo produtivo já é um grande ganho. Essa é a avaliação do tesoureiro da Associação do Desenvolvimento Educacional e Cultural de Tauá (Adec), Chagas Maia.
‘Eles vão plantar o algodão agroecológico pelo preço, que compensa. Temos a segurança da comercialização desde 2004. Além disso, há menos custos para colher algodão do que milho e feijão, que não têm garantia de seres vendidos’, compara o representante da entidade que congrega agricultores familiares.
O agrônomo do Esplar, Pedro Jorge Lima, ressalta que, nos últimos 15 anos, a demanda pelo algodão agroecológico cresceu significativamente. No início dos anos 90, o Greenpeace era o único comprador da matéria-prima. ‘Entre 2000 e 2001, a produção chegou a ficar um ano estocada’, lembra.
O cenário mudou. Em um seminário do qual participou recentemente na Holanda, o engenheiro agrônomo contabilizou cerca de 50 empresas expondo produtos que utilizaram esse tipo de algodão.
Cerca de 90 hectares do algodão cultivado de forma ecologicamente correta estão plantados em Tauá, segundo a Adec. Somados aos de outros 3 municípios cearenses Choró, Massapê e Quixadá, a área total é de cerca 250 hectares.
Neles, o combate ao bicudo e à lagarta rosada é feito com o Nim (árvore originária da Índia, utilizada contra pragas) e a compra da produção é garantida por contratos pré-estabelecidos. A meta da Associação é que a área plantada e o número de adeptos cresçam 20% ao ano. O grupo, que era de 150 produtores em 2005, chegou a 250 neste ano. Destes, 200 cultivaram algodão em 2006.
Como parte de cadeias que praticam o comércio justo, os agricultores recebem periodicamente informações detalhadas sobre a fabricação e a venda de produtos feitos com algodão agroecológico.
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