
Luiz Fernando Garcia:
Na psicodinâmica aplicada a negócios é preciso compreender que os fatores que levam um indivíduo a empreender melhor ou pior ou a se orientar para o resultado, ser mais produtivo e mais destemido tem um aspecto relacionado à como seu pai e sua mãe o educaram na primeira e na segunda infância.
São 3 características determinantes no processo de educação na primeira e segunda infância que vão determinar no indivíduo adulto a capacidade de se orientar mais ou menos para resultado: grau de iniciativa, tomada de risco e visão.
Tais traços não se ensinam, são características de desenvolvimento de uma personalidade onde a iniciativa passa a acontecer a partir do segundo ano de vida, na retirada da fralda.
Segundo a psicanálise, cujo maior ícone é Freud, por volta do 26° mês a criança manifesta necessidade de controle do esfíncter. Se o pai ou mãe não souber decodificar esse momento em que ele está querendo isso e o antecipa, pode gerar uma pessoa amedrontada porque ainda ele não tinha controle do esfíncter e é exigido mais do que ele pode corresponder fisicamente. Assim, o grau de iniciativa acaba sendo prejudicado no indivíduo adulto, porque ele se torna amedrontado de tomar iniciativas de controle.
Os pais não podem ter muita ansiedade no controle do filho antes da fase do 26º mês. A partir daí, é preciso que os 2, em comum acordo, incentivem o filho a ir até o toalete sozinho segurando e controlando o esfíncter pra poder depositar as fezes. Se isso acontece saudavelmente na 1ª infância, até por volta dos 3 anos, haverá um indivíduo que saberá adotar uma postura de autonomia com mais iniciativa. Isso vai construindo a psicodinâmica, ou seja, a dinâmica da mente do indivíduo na hora de tomar a decisão num ambiente de negócio.
Tem mãe que nesse período em que a criança começa a despertar para o controle do esfíncter, está cansada e pensa 2 vezes para tirar a fralda. Nesse caso, corre-se o risco de perder o tempo de desenvolver autonomia e iniciativa. Em seguida, deve entrar o papel do pai no incentivo de pequenos desafios.
Mãe na psicanálise é responsável pela manutenção, matrimônio, manter algumas coisas controladas e o ambiente do lar saudável. Uma mãe muito ausente, situação típica do mundo atual, que trabalha muito e que não consegue compreender situações pelo olhar do filho não conseguirá dar o suporte materno que o filho precisa. Ele terá forte chance de ser educado num clima de muita ansiedade e terá mais medo de ambientes de riscos. Por outro lado, o pai também deve fazer parte desse cenário dando condições da mãe desempenhar seu papel materno e estar presente, e ainda deve incentivar o filho a pequenos desafios e nunca enganá-lo com brincadeirinhas.
Por volta dos 4 ou 5 anos de idade é preciso que a mãe e o pai incentivem a tomada de iniciativa com risco. Por exemplo:
Filho: - Eu quero leite com achocolatado.
Mãe/Pai: - Vamos pegar na geladeira juntos?
Aí, o filho abre a geladeira sob a supervisão da mãe. Entretanto, o leite não pode estar alto para que o filho consiga pegar e não fique oprimido. Para desenvolver características de orientação para resultado na primeira e na segunda infância é necessário ensinar o filho a fazer o que deseja dentro de uma condição em que ele possa de fato realizar.
Assim, iniciativa, risco e visão são desenvolvidos até 8 anos de idade, quando o pai e a mãe, em comum acordo, comecem a fazer pequenos estímulos na educação, até o momento em que o filho faz por conta própria, ou seja, apenas diz ‘pai, eu vou pegar um leite’ e o pai responde ‘Vai meu filho, você precisa de ajuda?’ e escuta ‘Não, obrigado’. Isso porque o filho já construiu uma operação mental de visão. ‘Vou até a geladeira, abro, o leite está ali, eu ponho no copo que está aqui como o meu pai e a minha mãe me ensinaram’. Faz tudo do jeito que o pai ou a mãe o ensinou, permitindo que ele tocasse e derramasse um pouco no chão sem dar bronca. Como o filho fez a mesma atividade diversas vezes, ele cria uma operação mental. Ele visualiza antes de fazer a atividade tudo que tem que fazer para que dê certo. Sabe onde está o leite, o açúcar, o achocolatado e o copo de plástico; tudo na sua altura. Aí, surgirá uma criança que terá condições de visualizar tudo quando estiver em situações de desafio. Afinal de contas, na infância, ‘ele pegava o leite sozinho’.
Assim, percebe-se a importância de acordos entre pai e mãe, na tomada de decisão na educação do filho na primeira e segunda infância relacionada a estímulos de iniciativa, risco e visão e não de opressão, para criar indivíduos mais independentes ou empreendedores.
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