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Cruzeironet:
Longe de ser sinônimo de pobreza, a imigração é um dos fatores do dinamismo da Silicon Valley californiana, centro nervoso da alta tecnologia mundial que emprega estrangeiros altamente qualificados.
Mais da metade dos ’start-up’, pequenas empresas de alta tecnologia, criadas entre 1995 e 2005, têm pelo menos um fundador de origem estrangeira, segundo estudo recente publicado pela Universidade de Duke, na Carolina do Norte (sudeste dos EUA). O estudo nacional avaliou a criação de empresas nos ramos de tecnologia de ponta, como informática, semicondutores, defesa, aeroespacial, biociência e meio-ambiente.
A pesquisa ressalta que, na Silicon Valley, 52,4% dos start-up criados na última década têm pelo menos um fundador de origem estrangeira, dado bem superior à média californiana (38,8%) e nacional (25,3%).
‘A Silicon Valley é um eldorado para as tecnologias e atrai cientistas e engenheiros estrangeiros mais do que qualquer outra região’, afirma Vavek Wadhwa, professor na Universidade de Duke e co-autor do estudo.
Os indianos aparecem como o grupo ético mais dinâmico, com 15,5% das criações de empresas, à frente dos chineses e taiwaneses, juntos com 12,8%.
‘Um estudo realizado em 1999 pela Universidade de Berkeley (Califórnia) mostrava que entre 1980 e 1998, 17% das empresas haviam sido criadas por chineses e taiwaneses, e 7% pelos indianos‘, lembrou Wadhwa.
Entre 2000 e 2005, a população indiana na Silicon Valley cresceu 40%, segundo o Escritório americano de recenseamento. Cerca de 15 anos após sua chegada na Silicon Valley, Jack Jia é um empreendedor que já fundou 2 empresas de informática, a V-max e a Baynote. ‘Na China, os start-up só copiam o que já existe: há poucas idéias novas e, por isso, há muita concorrência’, explicou, afirmando que ‘a Sillicon Valley atrai por seu espírito de inovação, seu dinheiro e sua maneira de saber fazer as coisas’.
Por sua vez, Anselm Baird-Smith deixou a França e ‘a esclerose’ que ele percebia em suas empresas para criar o Lala, um site de troca de discos. ‘Aqui, conseguimos unicamente por mérito. Pouco importa se somos estrangeiros ou não, o que a gente faz conta mais do que o que a gente é. Podemos inovar sem fronteira, sem ter que passar tempo convencendo seus superiores do fundamento de uma idéia’, destacou.
Este espírito de iniciativa tornou possível a conquista do russo Sergey Brin, co-fundador da Google, do almeão Andy Bechtolsheim e do indiano Vinod Khosla, fundadores da Sun Microsystems, ou do taiwanês Jerry Yang, co-fundador da Yahoo!
Se a Silicon Valley é um formidável incubador de idéia vindas do estrangeiro, sua economia e, em escala maior, a dos EUA, se beneficia desta imigração altamente qualificada.
‘Sem a presença dos estrangeiros, a Silicon Valley não teria ligação com a China e com a Índia. Com estes imigrantes, podemos relacioná-la a países emergentes’, disse Jack Jia. ‘Além disso, a imigração traz uma diversidade essencial para a inovação, importando olhares diferentes. É muito estimulante ampliar seus horizontes’, continuou.
Para Vavek Wadhwa, isto serve para preencher as brechas científicas deixadas pelos americanos. ‘O ensino científico é de qualidade tão baixa nos EUA que eles só podem contar com seus graduados, eles se expõem a graves problemas’, afirmou.
O estudo de Duke mostrou que em 2005 as empresas fundadas por estrangeiros nos Estados Unidos registraram receitas de 52 bilhões de dólares e criaram cerca de 450.000 empregos.
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