US$ 30 Mil É Quanto Custa Uma Mulher

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Aumenta o tráfico internacional de brasileiras

O tráfico internacional de mulheres se tornou um crime cada vez mais comum nas apurações da polícia brasileira. Só em 2005, a Polícia Federal abriu 119 inquéritos para investigar o tráfico de brasileiras para Portugal e Espanha, entre outros países.

Não existem informações seguras sobre os valores envolvidos nas transações com brasileiras. Mas pesquisadores da Organização das Nações Unidas (ONU) acreditam que as redes de prostituição podem faturar até US$ 30 mil com cada mulher traficada.

‘Depois do narcotráfico e do contrabando de armas, o tráfico de mulheres é o negócio ilegal de maior lucratividade no mundo’, afirma Marina Oliveria, gerante de projetos da Secretaria Nacional de Justiça.

‘No contexto do tráfico internacional, o Brasil é um dos grandes exportadores de mulheres para os mercados da prostituição na Europa. As apurações sobre esse comércio estão aumentando significativamente nos últimos anos’, disse o delegado Felipe Tavares, chefe da Divisão de Direitos Humanos da PF.

De 2000 a 2005, a PF abriu 372 inquéritos sobre vende de brasileiras para Portugal, Espanha, Suíça e até para países com renda per capita mais baixa que o Brasil, como o Suriname. A partir de alguns desses inquéritos, a PF, em parceria com o Ministério Público, promoveu 16 grandes operações e prendeu 125 aliciadores de mulheres, entre eles estrangeiros donos de boates, proprietários de hotéis, agentes de viagens e taxistas, acusados de integrar quadrilhas de tráfico internacional de mulheres.

Espanha é a principal rota do crime
As brasileiras dominam o mercado do sexo na Espanha, e a imensa maiorida delas é vítima de máfias organizadas que traficam mulheres para a exploração sexual. As espanholas perderam espaço: 90% das prostitutas são estrangeiras, das quais 60% são latino-americanas, destacando-se, com 40%, as brasileiras.

‘As brasileiras são vendidas de cafetão em cafetão, rodam de bordel em bordel por toda a Espanha, perdendo noção geográfica e de tempo’

E há demanda no exterior. E para atendê-la, a máfia começa a tuar na cidade de origem da mulher, na pele de uma amiga, prima ou vizinha que a anima a cruzar o Atlântico ‘para ganhar muito dinheiro’. Essas mulheres têm entre 20 e 30 anos, pouca escolaridade e não vêem perspectivas de melhorar de vida com o salário que ganham (muitas não exerciam a prostituição antes e trabalhavam como cabeleireira ou vendedora). Embora muitas tenham ciência de que serão prostitutas, nenhuma delas sabe as condições que as esperam.

‘As brasileiras são vendidas de cafetão em cafetão, rodam de bordel em bordel por toda a Espanha, perdendo noção geográfica e de tempo. Clientes e donos dos clubes incitam o uso de drogas. Quando elas decidem denunciar, exigimos que, para morar em nossas casas de acolhida, passem por uma desintoxicação. Muitas delas nem sabiam que estavam viciadas’, diz Rocío Mora, coordenadora da Associação para a Prevenção, Reinserção e Atenção da Mulher Prostituída - Apramp.

O escritório de Tráfico de Seres Humanos (TSH) do Ceará, vinculado ao Ministério da Justiça e único no Brasil, calcula que só nos 2 primeiros meses desde ano 16 mulheres cearenses tenham sido levadas ao exterior para exploração sexual comercial. Depois de São Paulo e Rio, Fortaleza é uma das principais portas de saída de garotas agenciadas por quadrilhas internacionais para se prostituírem em países europeus.

 

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