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O brasileiro iniciou 2007 com a renda comprometida.
A grande oferta de crédito - e com prazo de financiamento cada vez maior - diminuiu a capacidade de assumir novas dívidas.
Ainda assim, a previsão é de que haja um pequeno aumento no consumo em relação a dezembro de 2006. Isso é o que revela o estudo ‘Expectativas de consumo - janeiro a março de 2007′, do Programa de Administração de Varejo (Provar), da Fundação Instituto de Administração (FIA), em parceria com a Canal Varejo.
Segundo a pesquisa, 54,8% dos 500 entrevistados não pretendem comprar no primeiro trimestre deste ano. No último trimestre de 2006, o índice era de 63,2%. Vale ressaltar que no mesmo período do ano passado, a situação era bastante diferente, já que apenas 37,2% não pretendia consumir.
As causas para essa parada no consumo são o baixo crescimento da renda, de apenas 3,2%, e da pequena queda da taxa de juros, de 6,15% em dezembro de 2005 a 6,12% em dezembro de 2006. ‘É importante observar que o Natal vai sendo postergado. As pessoas estão buscando preços mais baixos’, diz um dos coordenadores do estudo, Claudio Felisoni.
Mesmo assim, o líder das intenções de compra são produtos da linha branca (com 8,6% - microondas - 1º lugar; máquina de lavar louça - 2º lugar; máquina de lavar roupas - 3º lugar; freezer - 4º lugar). Logo atrás, vêm os itens de informática (7,4%). As preferências se devem, em parte, à estabilidade atual do dólar, já que muitas peças dos produtos desses segmentos são atrelados à moeda e, portanto, têm seus preços beneficiados com a valorização do real.
‘O mercado de automóveis também tem-se expandido bastante. Somente em janeiro de 2007, foram vendidos 150 mil veículos. Um aumento de 13% em relação ao mesmo período de 2006′, informa o professor Marcos Luppe, também coordenador do estudo.
O levantamento inclui os setores: automóveis, auto peças, cama, mesa e banho, eletroeletrônicos, foto e ótica, informática, linha branca, material de construção, móveis, telefonia e celulares. De todos eles, os que apontaram as menores intenções e compra foram cama, mesa e banho (2%) e auto peças (2,8%).
Já em relação às intenções de gasto, ou seja, quanto o consumidor está disposto a pagar pelas mercadorias, há liderança do setor de automóveis (R$ 20 mil) e informática (R$ 2 mil). E as faixas salariais que mais declararam essa intenção foram as de maior poder aquisitivo, acima de R$ 1,49 mil. ‘O que reitera a idéia de que pessoas com baixa renda gastaram o que puderam, portanto, o orçamento hoje está mais comprometido do que no final do ano’, afirma Felisoni.
Comparando o primeiro trimestre de 2007 com o mesmo período de 2006, verifica-se uma diminuição no volume de comércio de 0,5%. Apesar de a intenção de compra ter diminuído, a de gasto aumentou. Do último trimestre de 2006 para o primeiro de 2007, houve um aumento de 0,8% no volume de vendas reais. ‘É um bom sinal, mas pouco significativo. Por exemplo, se em outubro, novembro e dezembro de 2006 havia R$ 100 para serem gastos, em janeiro, fevereiro e março de 2007, há R$ 106. Um ligeiro aumento’, conta o professor Luis Paulo Fávero, também coordenador. Nos respectivos períodos em 2005 e 2006, esse índice foi bem superior: 2% - o maior pico registrado na história da pesquisa, feita desde 1999.
Crediário - As intenções de uso de crédito estão voltadas para automóveis (78,9%), móveis (63,2%) e linha branca (55,8%). E concentram-se entre as faixas salariais de R$ 391 a R$ 2,49 mil. ‘As formas de crediário estão esgotadas ou muitas pessoas dificilmente têm acesso a elas’, conclui Felisoni.
Analisando a disponibilidade de renda por faixa salarial, exceto gastos com alimentação, habitação, vestuário, transporte, saúde, educação e lazer, ou seja, o que sobra das contas fixas, neste trimestre é maior do que a média para o período: 15,7% ante 13,6%. ‘Subentende-se que as pessoas não querem contrair mais dívidas ou não têm condiçôes, simplesmente. De 2005 para 2006, houve aumento de 7% da inadimplência. Estima-se, entretanto, que haja um crescimento maior a partir de março, quando há a retomada das atividades pós-carnaval’, finaliza Fávero.
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