Brasil Tem Um Rio De Janeiro De Empreendedoras
Mais de 6 milhões de mulheres no País, o equivalente à população carioca, buscam a independência financeira e o sustento da família no comando do próprio negócio.
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Na noite de 6ª.f. de carnaval, dia 16, a microempresária Carolina Correia, 22 anos, contava o prejuízo. Nem deu bola para a ligação de um fã, que a convidava para sair. Na madrugada anterior, a sua empresa de entregas rápidas, a Penélope Express, criada há apenas 5 meses, fora roubada – levaram computador, o par de tênis de um dos funcionários e até o chinelo de Carolina.
Mas essa curitibana, apaixonada por motos desde os 14 anos, não se deixou abater. ‘Para compensar, graças a Deus, hoje tivemos um movimento acima da média’, diz ela, que contabilizou 34 entregas no dia e aproveitou uma das saídas para comprar um alarme e arranjar um pastor alemão para ficar de vigia.
O incidente, porém, não foi o único enfrentado pela microempresária desde que ela resolveu ganhar a vida sobre 2 rodas. Ao criar a Penélope, pretendia oferecer serviços executados apenas por motogirls, mas, das 4 contratadas, só uma ficou. ‘Uma saiu depois que descobriu um mioma no útero, outra foi pressionada pelo marido a deixar o trabalho e a terceira sofreu um acidente por não estar acostumada a dirigir na chuva’, conta ela, que reclamava da falta de mão-de-obra feminina qualificada. ‘As motogirls realmente boas querem ganhar mais’, afirma Carolina, que fica com 30% do valor da corrida. O jeito foi contratar 3 motoboys e ela mesma ir às ruas, mas sua meta é oferecer algo mais à equipe a partir do crescimento do negócio e voltar a ter serviços prestados só por mulheres.
A jovem Carolina está entre as brasileiras que fazem com que o País ocupe o sexto lugar no ranking mundial das nações com as mulheres mais empreendedoras.
A taxa nacional de 10,8% da população feminina com mais de 18 anos dedicada a tocar o próprio negócio é inferior apenas às da Venezuela (primeira colocada, com 23,9%), Tailândia (19,3%), Jamaica (15,7%), Nova Zelândia (13,7%) e China (11,6%), segundo o Global Entrepreneurship Monitor (GEM), levantamento internacional coordenado pela London Business School e pelo Babson College, dos Estados Unidos. Quando se trata de números absolutos, entretanto, o País ocupa a terceira posição, atrás dos EUA e da China, somando 6,3 milhões de mulheres empreendedoras, um contingente que equivale à população do Rio de Janeiro, a segunda maior cidade do Brasil. Já em relação aos homens empreendedores, os brasileiros estão no 13º lugar na seleção mundial, aponta o estudo.
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Foto: Aliciante.
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